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Trabalhadores da saúde em São Paulo aprovam estado de greve contra desigualdade salarial

Trabalhadores da saúde em São Paulo aprovam estado de greve contra desigualdade salarial

Os profissionais da saúde que atuam em Santas Casas e Organizações Sociais (OS) na cidade de São Paulo decidiram formalizar o estado de greve. A medida foi tomada após o impasse nas negociações coletivas anuais com a gestão municipal, evidenciando um descontentamento generalizado entre auxiliares e técnicos de enfermagem representados pelo Sinsaudesp.

A categoria oficializou a decisão na última segunda-feira (24/8) e já definiu um cronograma de mobilização que inclui a interrupção das atividades e manifestações públicas. O movimento reflete a insatisfação com as propostas apresentadas pela prefeitura, que, segundo os trabalhadores, não atendem às necessidades básicas de recomposição do poder de compra e valorização profissional.

Disparidade no vale-alimentação motiva paralisação na saúde

O ponto central do conflito reside na diferenciação dos valores pagos a título de vale-alimentação para diferentes setores da rede pública. Segundo o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de São Paulo (Sinsaudesp), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) autorizou um reajuste que elevou o benefício para R$ 500 apenas para os agentes comunitários de saúde.

Enquanto isso, o restante da categoria, que inclui a maioria dos técnicos e auxiliares de enfermagem, permanece com um auxílio de R$ 200. Agostinho Teixeira, representante do sindicato, aponta que a prefeitura se recusou a equiparar os valores ou sequer receber as lideranças sindicais para um diálogo efetivo sobre a demanda de isonomia entre os profissionais.

Para o sindicato, a falta de disposição para negociar um aumento equivalente para todos os trabalhadores da saúde demonstra uma desvalorização do trabalho técnico especializado. A disparidade de R$ 300 no benefício é vista como um tratamento discriminatório dentro de uma rede que depende da colaboração de todas as funções para operar com eficiência.

Impacto da greve na saúde atinge Santas Casas e organizações sociais

A mobilização não se restringe apenas às unidades geridas diretamente pela administração pública. O movimento deve paralisar atividades em Santas Casas, hospitais filantrópicos e unidades de saúde operadas por Organizações Sociais (OS). Essas instituições formam a espinha dorsal do atendimento público na capital paulista, sendo responsáveis por uma parcela significativa dos leitos e atendimentos ambulatoriais.

O modelo de gestão compartilhada entre o poder público e o terceiro setor faz com que milhares de profissionais dependam dessas negociações coletivas para garantir direitos básicos. A enfermagem, que compõe a maior força de trabalho no setor de saúde, tem buscado nacionalmente o cumprimento de pisos salariais e melhores benefícios, e o cenário em São Paulo agrava essa tensão local.

Os trabalhadores representados pelo Sinsaudesp desempenham funções críticas no suporte direto ao paciente, desde a triagem até procedimentos complexos em UTIs. A decisão de cruzar os braços reflete uma pressão acumulada por melhores condições de trabalho, especialmente diante do aumento do custo de vida na metrópole paulistana.

Calendário de mobilização e silêncio da Prefeitura de São Paulo

O cronograma estabelecido pela categoria prevê uma paralisação total das atividades para a próxima quinta-feira (3). Além da interrupção dos serviços, está programado um ato público em frente à sede da prefeitura para pressionar o Executivo por uma nova rodada de negociações que contemple as reivindicações salariais e de benefícios.

Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de São Paulo não havia emitido um posicionamento oficial sobre as reivindicações ou sobre a possibilidade de mediação para evitar a greve. O espaço para manifestação da gestão municipal permanece aberto, enquanto o sindicato mantém a convocação para que todos os profissionais da rede conveniada e filantrópica participem do movimento.

A expectativa é que a paralisação afete o fluxo de atendimento em diversas unidades de saúde da capital. O sindicato orienta que os serviços essenciais e de urgência sejam mantidos conforme a legislação vigente, mas alerta que a falta de pessoal poderá causar atrasos e remarcações em procedimentos não emergenciais durante o período de protesto.

Fonte: metropoles.com


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