Salvador, com sua vasta riqueza cultural e histórica, tornou-se o cenário central para uma nova geração de criadores de conteúdo digital. O que antes era um hobby de fim de semana, focado em registrar praias e pontos turísticos, evoluiu para uma profissão de tempo integral. Profissionais como Caio Costa, Luiz Eugênio e Marcelo Filho utilizam o afeto pela capital baiana para construir audiências que, somadas, chegam a quase um milhão de seguidores interessados em roteiros autênticos.
Neste Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro, o fenômeno da influência hiperlocal ganha destaque. Diferente de criadores que buscam temas genéricos, estes produtores de conteúdo focam em desbravar a cidade além do óbvio, oferecendo dicas de gastronomia, lazer e cultura que fogem dos circuitos tradicionais. A transição para o profissionalismo exige, contudo, uma estratégia rigorosa de mercado e uma gestão cuidadosa da imagem pública.
Estratégia de mercado e o fenômeno da influência hiperlocal
O amadurecimento do setor exige mais do que apenas boas fotos. Especialistas como Gabriel Bomfim, sócio-fundador do Grupo Bando, observam que o mercado de influência em Salvador está em plena expansão, impulsionado pela identidade local. Para Bomfim, focar em uma única cidade não é um limitador, mas um diferencial competitivo que atrai até mesmo seguidores de outros estados, curiosos sobre as particularidades da capital baiana.
A estrategista em comunicação e branding Rebecca Lyrio reforça que a relevância no meio digital não depende exclusivamente da escala de seguidores. Para ela, o valor reside na autoridade conquistada pelo criador, que se torna a principal referência para o público local e para turistas. A sustentabilidade financeira desse modelo, porém, depende da diversificação de receitas, que vai além da publicidade tradicional e inclui projetos especiais, eventos e parcerias estratégicas.
O dilema ético entre a beleza e a realidade urbana
Um dos maiores desafios enfrentados por esses influenciadores é o equilíbrio entre promover as belezas da cidade e manter a transparência sobre os problemas urbanos. Caio Costa, do perfil A Vida em Salvador, adota uma postura de recorte positivo, mas sem omitir questões de segurança. Já Luiz Eugênio, do Destinos Baianos, defende que a divulgação não deve esconder infraestruturas limitadas ou dificuldades de acesso, tratando a honestidade como um pilar de sua curadoria.
Marcelo Filho, conhecido como Ruivo Baiano, compartilha dessa visão e ressalta que a divergência de opiniões é natural. Ele acredita que não é justo indicar um local sem apontar seus pontos de atenção, mesmo que isso gere atrito com moradores ou estabelecimentos. Para o criador, o papel do influenciador é fornecer um olhar crítico que ajude o seguidor a tomar decisões informadas, mantendo a credibilidade a longo prazo.
Inovação e a busca por novos roteiros na capital
Manter o interesse da audiência ao longo dos anos exige uma busca constante por novidades. Luiz Eugênio destaca que, quanto mais explora o estado, mais percebe a vastidão de lugares inexplorados, como a Praia de Monte Cristo, em Saubara. Essa dinâmica de descoberta também ocorre com Caio Costa, que tem obtido sucesso ao explorar bairros populares, como o Porto das Sardinhas, em São João do Cabrito, provando que o interesse do público por histórias autênticas permanece elevado.
A sustentabilidade dessa carreira, conforme aponta A TARDE, reside na mistura entre o afeto genuíno pela terra e o profissionalismo na execução. Ao conciliar a criação de conteúdo com a responsabilidade de ser um guia para seus seguidores, esses influenciadores consolidam uma forma de contar a história de Salvador por dentro, preservando a identidade da cidade enquanto constroem um ecossistema de negócios robusto e conectado com a realidade local.
Fonte: atarde.com.br
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