Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve despesas de um réveillon de luxo em Paraty (RJ) custeadas inicialmente por uma lobista. O episódio integra o escopo de uma investigação mais ampla sobre possíveis articulações políticas envolvendo interesses privados na Petrobras.
O custo total da hospedagem, avaliado em R$ 32,7 mil, foi posteriormente assumido pelo empresário Leo Slezynger, herdeiro da fabricante de fertilizantes Unigel. A estadia ocorreu na virada para 2024, período em que a lobista Roberta Luchsinger, Marcola e Fábio Luís Lula da Silva mantinham diálogos sobre demandas da empresa junto à estatal brasileira.
Articulações e pagamentos sob suspeita
A apuração da Polícia Federal indica que a influência de Marcola era considerada estratégica para os objetivos da Unigel. Em mensagens trocadas em novembro de 2023, Roberta Luchsinger destacou a relevância do ex-assessor, afirmando que ele seria uma figura necessária por um longo período. Além da reserva inicial de R$ 13.650 paga pela lobista, a investigação aponta que ela teria custeado outras despesas pessoais de Marcola, incluindo faturas de cartão, seguro, joias e o financiamento de um veículo, totalizando cerca de R$ 217 mil.
Contrato entre Unigel e Petrobras
As evidências digitais sugerem que a lobista solicitou a Marcola que intercedesse junto ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em favor da Unigel. Em dezembro de 2023, a Petrobras firmou um contrato de tolling com a empresa, prevendo o fornecimento de gás natural em troca de fertilizantes produzidos na Bahia e em Sergipe. O acordo, contudo, não foi renovado em maio de 2024, após a estatal alegar descumprimento de metas, decisão corroborada por um relatório do Tribunal de Contas da União que apontou prejuízos financeiros.
Posicionamento das partes envolvidas
A defesa de Marcola nega qualquer prática de tráfico de influência ou atuação em favor de interesses privados. Segundo seus advogados, os valores repassados pela lobista tratavam-se de um empréstimo pessoal, o qual já teria sido devidamente quitado. A equipe jurídica sustenta que o ex-assessor nunca intermediou negociações ou encaminhou documentos de licitações públicas.
Por outro lado, a Unigel declarou que não mantém qualquer relação contratual com Roberta Luchsinger ou empresas vinculadas a ela. A Polícia Federal segue analisando o material para determinar se os pagamentos e as articulações políticas possuem nexo causal direto com as negociações da estatal.
Fonte: seliguebahia.com.br
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