Uma investigação conduzida pela Polícia Federal revelou que a lobista Roberta Luchsinger realizou pagamentos que somam R$ 217 mil em favor de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Os repasses, que incluíram quitação de faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outras despesas pessoais, ocorreram ao longo de 2024, período em que a lobista buscava contratos junto ao Ministério da Saúde para a comercialização de Cannabis medicinal.
Os detalhes das transações financeiras compõem representações da PF que fundamentaram a abertura de inquéritos sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal. As autoridades investigam possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência, analisando a relação entre os pagamentos e as tentativas de acesso a instâncias governamentais. A apuração também envolve o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apontado pela polícia como possível sócio oculto nos negócios de Roberta Luchsinger.
Detalhamento dos repasses e natureza das despesas
Conforme o relatório policial, as transferências efetuadas pela lobista abrangem uma variedade de obrigações financeiras de Marcola. Entre os valores identificados, destacam-se R$ 95 mil em faturas de cartão de crédito do Banco do Brasil, R$ 36 mil em boletos de financiamento veicular, R$ 48 mil referentes a um consórcio e um Pix de R$ 25 mil. Além disso, a PF aponta o presente de joias de diamantes avaliadas em R$ 9.000.
O financiamento veicular mencionado pela investigação está vinculado ao Banco Toyota, sendo que Marcola possui, em seu nome, um veículo modelo Corolla Cross da mesma fabricante. A Polícia Federal destaca que, em diversos momentos, o ex-chefe de gabinete encaminhava os boletos diretamente para a lobista, que realizava a quitação e enviava os comprovantes de volta, por vezes mencionando a necessidade de contatos com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa.
Defesas negam irregularidades e apontam motivação política
Em nota oficial, a defesa de Marco Aurélio Ribeiro afirmou que os valores mencionados referem-se a um empréstimo pessoal e foram integralmente quitados. Os advogados sustentam que não houve qualquer encaminhamento de documentos relativos a licitações ou compras no âmbito da pasta da Saúde ou da Anvisa. Além disso, a defesa classificou o vazamento das informações como uma tentativa de distorcer fatos e interferir no processo eleitoral.
Por sua vez, a defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, questionou a veracidade do material colhido e alegou interesse político na instauração dos inquéritos. Segundo os defensores, não há elementos que comprovem desvio de dinheiro público, atos de ofício ou relação direta com o INSS. A defesa de Roberta Luchsinger informou que se manifestará apenas nos autos do processo.
Contexto da investigação no Ministério da Saúde
A Polícia Federal ressalta que, embora existam trocas de mensagens sobre os pagamentos, a natureza da relação financeira entre a lobista e o ex-chefe de gabinete permanece sob análise técnica. O documento assinado pelos delegados enfatiza a ausência de elementos que esclareçam a causa jurídica subjacente de parte expressiva das transferências. A investigação segue em curso para determinar se houve efetiva influência nas decisões da pasta da Saúde.
O ex-secretário Swedenberger Barbosa não se manifestou publicamente sobre o caso. Interlocutores próximos afirmam que sua função incluía o recebimento de demandas para análise técnica e que não houve andamento para a proposta apresentada pela lobista. Mais informações sobre o caso podem ser consultadas no portal Política Livre.
Fonte: politicalivre.com.br
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