A cinco meses das eleições presidenciais, a principal preocupação dos brasileiros é o crime e a violência. Em seguida, aparecem a corrupção política e financeira, além da pobreza e desigualdade social, conforme a pesquisa Ipsos What Worries the World, realizada em 29 países e divulgada em abril.
Quase metade dos brasileiros, 47%, aponta o crime e a violência como sua maior preocupação. Esse indicador se manteve estável nos últimos meses e reflete a percepção de que a criminalidade está mais disseminada e próxima da população. O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que a violência, antes restrita às capitais, se espalhou pelo interior do País devido à atuação de facções criminosas em busca de novas rotas e mercados.
O Comando Vermelho (CV) aumentou sua presença, passando de 128 para 286 cidades entre 2023 e 2025, enquanto o PCC priorizou o controle de áreas estratégicas. A violência extrema se concentra no Nordeste, com as principais disputas ocorrendo na região metropolitana e no interior da Bahia, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Na CPI do Crime Organizado, foram identificadas 90 organizações criminosas atuando no País, que também têm penetrado na economia formal, especialmente nos setores de combustíveis e agronegócio.
A corrupção financeira e política, a segunda principal preocupação dos brasileiros, foi a que mais cresceu em relação ao ano anterior. Esse tema afeta 39% da população e teve um aumento de 11% em relação ao ano passado. O escândalo do Banco Master trouxe à tona suspeitas de corrupção envolvendo políticos de diversas ideologias, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), servidores e entidades reguladoras.
A pobreza e desigualdade social, terceira principal preocupação, gera ansiedade em 36% dos entrevistados, com um aumento de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de indicadores econômicos sólidos, como crescimento do PIB e desemprego em mínima histórica, muitos brasileiros sentem que a vida está mais difícil. Em março, 80,4% das famílias estavam endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC.
A pesquisa da Ipsos também revelou que 62% dos brasileiros acreditam que o País está indo na direção errada, enquanto 64% consideram a situação econômica ruim, com um aumento de 4% em relação ao mês anterior. Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, afirma que esses dados sugerem um ajuste no humor da população, possivelmente relacionado à falta de sinais concretos de melhora no curto prazo, reforçando um cenário de cautela e expectativas moderadas.
Essas preocupações no Brasil diferem das percepções globais. No mundo, a inflação é a principal fonte de ansiedade, afetando 33% dos entrevistados, resultado direto dos conflitos no Oriente Médio. Crime e violência são a preocupação de 31% das pessoas, seguidos pela pobreza e desigualdade social, que afetam 28%. As guerras entre nações são a sétima preocupação, mencionada por 19% da população global, enquanto apenas 6% dos brasileiros se preocupam com esse tema.
Pagura observa que, enquanto as preocupações internas permanecem focadas em questões estruturais, o cenário global incorpora mais elementos externos, como tensões geopolíticas e seus impactos econômicos. Essa combinação ajuda a explicar por que, mesmo sem grandes mudanças nas preocupações, a percepção sobre o rumo do País recua, refletindo um ambiente de incerteza que molda o humor da população.
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