O Tribunal de Justiça de São Paulo tornou réu o empresário Saul Klein, filho do fundador das Casas Bahia, por quatro crimes relacionados a mulheres. Klein vendeu sua participação na rede varejista em 2009. A decisão, que foi assinada na segunda-feira (11) pela 2ª Vara Criminal de Barueri, está sob segredo de Justiça. Além de Klein, outras sete pessoas também estão sendo processadas.
De acordo com o juiz, os depoimentos coletados indicaram uma "dinâmica reiterada" que envolvia o recrutamento de mulheres e adolescentes com promessas de trabalho em eventos, modelagem e ações promocionais. O esquema contava com a atuação de intermediárias específicas que conduziam as vítimas a flats e propriedades associadas ao investigado. Os pagamentos eram feitos em dinheiro, e havia a imposição de comportamentos previamente orientados, além de uma exploração sexual estruturada em um ambiente controlado.
O juiz destacou que os relatos reunidos nos autos vão além de meras conjecturas, apresentando um quadro probatório minimamente consistente que sugere a existência de uma estrutura organizada voltada para o aliciamento e exploração sexual de mulheres e adolescentes. Uma das vítimas relatou que frequentou os locais entre 2011 e 2013, acreditando que participava de "eventos de showroom". Ela foi recrutada por meio de uma conhecida após uma proposta supostamente ligada a uma "agência de eventos". No ambiente, havia controle psicológico e físico, presença de seguranças, dificuldades para deixar o local e a oferta de medicamentos e bebidas alcoólicas. A vítima afirmou que não podia usar o celular e que deveria manter um sorriso constante, focando toda a sua atenção no anfitrião.
A defesa de Saul Klein, representada pelo advogado Alberto Zacharias Toron, informou que a decisão afastou as acusações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo. Em nota, a defesa ressaltou que o juiz reconheceu a relevância da tese de que a relação entre as partes era livre e consensual, caracterizando uma dinâmica conhecida como "sugar daddy" e "sugar baby", que envolve encontros voluntários com vantagens econômicas. A defesa expressou confiança de que, ao final do processo, todas as acusações serão integralmente rejeitadas.
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