O influenciador digital Alexsander José Rodrigues da Silva, amplamente conhecido como Moskitão, tornou-se réu em uma ação penal por importunação sexual e discriminação em razão de deficiência. A decisão judicial decorre de um episódio envolvendo o também influenciador Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho, durante uma transmissão ao vivo realizada em agosto de 2025.
A denúncia foi formalizada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e prontamente aceita pela Justiça de São Paulo. Atualmente, o acusado responde ao processo em liberdade, enquanto o caso segue tramitando nas instâncias competentes para apurar as condutas registradas durante o evento musical na capital paulista.
Dinâmica da denúncia e conduta durante a transmissão
O incidente, que ganhou repercussão nas redes sociais, ocorreu enquanto Moskitão realizava uma entrevista com Tokinho para a plataforma Twitch. Segundo os autos, o acusado insistiu em contatos físicos não consentidos e proferiu declarações de cunho sexual, além de utilizar termos depreciativos relacionados ao nanismo.
Durante a live, o influenciador chegou a afirmar que “ia abusar” do colega e mencionou ter um suposto “fetiche por deficiente”. Ao ser questionado sobre o conceito de deficiência, Moskitão descreveu a condição como algo que “não condiz com o normal”, reforçando o teor discriminatório que fundamenta a acusação apresentada pelo órgão ministerial.
Confronto e desdobramentos legais
Em um momento da gravação, Moskitão referiu-se a Tokinho utilizando o termo “anão”, sendo prontamente corrigido pelo influenciador, que solicitou ser identificado como pessoa com nanismo. O episódio gerou grande constrangimento, levando Tokinho a registrar um boletim de ocorrência e a expor o caso publicamente em suas redes sociais, onde afirmou ter se sentido desrespeitado.
O Ministério Público solicitou, além do prosseguimento da ação penal, que a Justiça determine o pagamento de uma indenização mínima de R$ 10 mil a Tokinho. O valor visa reparar os danos morais sofridos pela vítima, que possui uma trajetória consolidada como humorista e ator, com participações em produções como o filme Marte Um.
Enquadramento jurídico e penalidades
Com o recebimento da denúncia, o caso passa a ser julgado sob as diretrizes do Código Penal brasileiro, especificamente no que tange ao crime de importunação sexual. Adicionalmente, o processo inclui a acusação de discriminação, baseada na Lei Brasileira de Inclusão, que protege pessoas com deficiência contra atos de preconceito e segregação.
A defesa de Moskitão deverá apresentar suas justificativas no decorrer do processo. Enquanto isso, o caso serve como um marco para discussões sobre os limites éticos e legais na produção de conteúdo de humor e entrevistas em plataformas digitais, onde a exposição de terceiros muitas vezes ignora o consentimento e a dignidade humana.
Fonte: metropoles.com
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