O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, será o relator de duas ações relacionadas ao filme Dark Horse e de uma terceira sobre a pesquisa AtlasIntel, que mencionava áudios do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os processos abordam possíveis abusos econômico e político ligados ao financiamento e à exibição do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de um suposto direcionamento eleitoral na pesquisa.
Na ação que questiona a pesquisa da AtlasIntel, movida pelo PL, a legenda argumenta que o levantamento induziu os entrevistados contra Flávio Bolsonaro ao reproduzir, em um dos questionários, um áudio de uma conversa entre ele e Vorcaro, na qual o parlamentar solicita apoio financeiro para o filme Dark Horse. Os advogados do partido afirmam que oito das 48 perguntas da pesquisa abordavam o suposto envolvimento de Flávio com Vorcaro, o que configuraria um "claro induzimento" do eleitorado. O levantamento indicou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caiu seis pontos porcentuais desde abril, registrando 41,8% das intenções de voto, em comparação a 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível segundo turno.
A AtlasIntel esclareceu que o teste do áudio foi aplicado apenas após a conclusão do questionário principal pelo respondente. Em outra ação, Nunes Marques relatará o pedido do deputado Rogério Correia (PT-MG) para impedir a exibição do filme Dark Horse. O parlamentar argumenta que a produção sobre Jair Bolsonaro pode gerar um "efeito eleitoral abusivo" durante a campanha presidencial. Segundo Correia, o pedido busca proteger a igualdade de chances, a transparência do financiamento político, a soberania popular e a liberdade real do voto.
No terceiro processo, o ministro será responsável pela ação do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que solicita investigação sobre possíveis abusos de poder econômico e político no financiamento do filme. Chinaglia afirma que a produção pode influenciar o cenário eleitoral e desequilibrar a disputa presidencial. Recém-empossado na presidência da Corte, Nunes Marques editou, no fim de maio, uma resolução que centraliza a análise de ações sobre propaganda eleitoral em sua responsabilidade, juntamente com os ministros André Mendonça, vice-presidente, e Estela Aranha. Esse trio decidirá sobre pedidos das campanhas contra propagandas de adversários e analisará solicitações de direito de resposta durante a disputa eleitoral. Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2020, já estava previsto para assumir a presidência do TSE em 2026, uma vez que a liderança da Corte é definida por um sistema de rodízio entre os ministros do STF.
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