O cenário político brasileiro perdeu uma de suas figuras históricas neste sábado, 22. Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e Emprego e um dos pilares na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), faleceu em Florianópolis, Santa Catarina, aos 88 anos. Conhecido entre aliados e correligionários pelo apelido de “Maneca”, o político estava internado em uma unidade de saúde da capital catarinense para tratar complicações decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido no ano anterior.
Trajetória política e resistência ao regime militar
Natural de Criciúma, Manoel Dias iniciou sua militância ainda na década de 1960, integrando o movimento estudantil. Em 1962, alcançou seu primeiro cargo eletivo ao ser eleito vereador em Içara, pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). A ascensão política foi interrompida pelo golpe militar de 1964, que resultou na cassação de seu mandato e em 11 meses de prisão.
Apesar da repressão, ele manteve sua atuação pública e foi um dos articuladores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina, conquistando uma cadeira como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em 1966. Contudo, em 1969, foi novamente alvo de perseguição política, tendo o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por uma década devido ao Ato Institucional nº 5 (AI-5). Durante esse período de afastamento forçado, dedicou-se aos estudos e concluiu o bacharelado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Legado no trabalhismo e atuação nacional
Com a redemocratização e a promulgação da Lei da Anistia no início da década de 1980, Manoel Dias uniu forças com Leonel Brizola para fundar o PDT. Dentro da legenda, consolidou-se como uma liderança de projeção nacional, ocupando o cargo de secretário-geral e presidindo a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini.
O auge de sua carreira no Poder Executivo ocorreu entre 2013 e 2015, quando assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego durante o governo da presidente Dilma Rousseff. Mesmo após deixar cargos eletivos, manteve-se como o principal nome do trabalhismo em Santa Catarina e conselheiro estratégico da executiva nacional do partido.
Repercussão e homenagens póstumas
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, manifestou profundo pesar pela perda do amigo e correligionário. Em nota, destacou que o empenho de Manoel Dias na estruturação das bases partidárias continuará a servir de inspiração para as novas gerações de lideranças políticas no país.
Lupi ressaltou que o ex-ministro agora se junta a nomes históricos do trabalhismo brasileiro, como Getúlio Vargas, João Goulart, Darcy Ribeiro e Leonel Brizola. O político deixa a esposa, dois filhos, noras e netos. As homenagens finais foram organizadas no Palácio Barriga Verde, sede da Alesc, reunindo autoridades, familiares e militantes que acompanharam sua trajetória de décadas.
Fonte: atarde.com.br
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