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Ministro da Fazenda chama Milei de palhaço e rebate críticas sobre economia brasileira

Ministro da Fazenda chama Milei de palhaço e rebate críticas sobre economia brasileira

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de palhaço nesta segunda-feira (27) e respondeu às críticas do argentino sobre a economia brasileira. Durante uma entrevista por telefone ao Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan afirmou que Milei, ao visitar o Brasil, não deveria criticar o país, considerando que o risco país da Argentina, sua dívida pública e a inflação são significativamente mais altos. Ele destacou que não é possível levar a sério declarações alarmistas sobre a economia brasileira.

Durigan se manifestou em resposta a uma pergunta sobre a previsão de analistas para uma possível recessão da economia brasileira em 2027. No último sábado, Milei, durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, afirmou que o Brasil caminha para uma crise de dívida devido à falta de ajuste fiscal por parte do governo Lula. Ele também criticou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca" por não permitir que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso.

Ao ser questionado sobre as contas públicas, Durigan negou que o governo esteja gastando além do necessário e mencionou uma melhora nas finanças após um déficit de R$ 230 bilhões em 2023. Ele afirmou que as contas públicas estão equilibradas desde 2024, embora reconhecesse que os juros permanecem altos, assim como o nível de endividamento do governo federal. O ministro destacou a importância de reduzir gastos obrigatórios e modernizar o Estado, mencionando que o arcabouço fiscal atual permite o crescimento da despesa pública pela inflação e mais 70% da receita do ano anterior.

Durigan também comentou sobre a vinculação do crescimento do salário mínimo ao arcabouço implementado em 2024, além de sugerir limitar o aumento dos pisos da saúde e educação para evitar que algumas áreas cresçam desproporcionalmente. Ele acredita que, se a taxa de juros cair, haverá um aumento significativo de investimentos no país, atribuindo a taxa atual de 14,25% à desconfiança dos investidores em relação à capacidade do governo de honrar seus compromissos.

O ministro citou ainda fatores externos que influenciam os juros altos, como o aumento da taxa básica nos Estados Unidos, a Guerra do Irã e a baixa taxa de poupança privada no Brasil. Ele enfatizou que seu objetivo é melhorar a situação fiscal do país. Durigan propôs um pacto nacional contra pautas-bomba, sugerindo que o Congresso deve seguir um rito regulamentar para avaliar o impacto de certas medidas nas contas públicas antes de sua aprovação.

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou uma proposta de emenda à Constituição que cria uma aposentadoria especial para agentes de saúde, com um impacto estimado de R$ 30 bilhões em dez anos, o que foi rejeitado pela Fazenda.

Sobre a medida provisória que zerou o imposto de importação de encomendas internacionais de até US$ 50, Durigan afirmou que a equipe econômica pode solicitar ao presidente Lula que reestabeleça a cobrança caso identifique um aumento nas encomendas que prejudique a produção nacional. Ele descreveu o cenário de importação de encomendas asiáticas durante os governos Temer e Bolsonaro como uma "anarquia".

Até 2023, o programa Remessa Conforme da Receita Federal permitia que vendedores de plataformas como AliExpress e Shein enviassem encomendas ao Brasil como presentes, evitando o pagamento do imposto de importação. Em 2024, Lula sancionou a lei que criou a "taxa das blusinhas", com uma alíquota de 20% sobre a compra desses itens, visando proteger a indústria nacional. No entanto, em maio deste ano, o governo editou uma medida provisória que zerou novamente a alíquota, resultando em um aumento nas importações da Ásia e gerando protestos da indústria. A medida provisória pode caducar em setembro se não for aprovada pelo Congresso, especialmente em meio à pressão de empresários devido aos tarifas do governo americano contra o Brasil.


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