Associações que representam jornalistas e veículos de comunicação manifestaram repúdio nesta quinta-feira (29) contra declarações proferidas pelo influenciador Paulo Figueiredo. Conselheiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o influenciador utilizou uma transmissão ao vivo no YouTube, na última terça-feira (28), para proferir ataques misóginos contra profissionais da imprensa, com foco específico na jornalista Miriam Leitão.
Durante a transmissão, Figueiredo classificou jornalistas como “putas pagas” com recursos públicos e “prostitutas de alma”. O influenciador, que atua nos Estados Unidos ao lado de Eduardo Bolsonaro em articulações políticas, sugeriu que veículos como Globo, Folha de S.Paulo e Poder360 dependem de verbas estatais para manter suas operações e seus quadros profissionais.
Ataques misóginos e banalização da violência
Em um dos momentos mais críticos da fala, o conselheiro adaptou uma declaração anterior do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Ao se referir a Miriam Leitão, Figueiredo utilizou termos depreciativos e afirmou que a jornalista “não merecia ser estuprada”, em uma retórica que associa a violência sexual à aparência física da profissional.
O influenciador declarou ter “desprezo” pelos profissionais citados e questionou a demanda de mercado para a jornalista caso ela não estivesse vinculada a uma grande emissora. As falas geraram imediata reação de entidades de classe, que classificaram o conteúdo como uma grave incitação ao ódio e uma afronta direta à dignidade humana.
Reação das associações de jornalismo
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) afirmou que as ofensas ultrapassam os limites da liberdade de expressão. Em nota oficial, a entidade destacou que a banalização da violência contra mulheres na imprensa busca constranger e desqualificar o exercício da profissão, representando um risco à pluralidade e à independência da informação no país.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se manifestou, apontando a similaridade entre as falas de Figueiredo e ofensas pelas quais Jair Bolsonaro já foi condenado a pagar indenizações. A entidade reforçou que o objetivo do influenciador é produzir engajamento através da violência simbólica e da intimidação de jornalistas, especialmente mulheres.
Contexto de violência contra a imprensa
A Abraji ressaltou que este não é um episódio isolado na trajetória do influenciador. Em junho, Figueiredo já havia sido alvo de uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR), movida pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), devido a declarações misóginas anteriores. O histórico de ataques tem gerado preocupação sobre a segurança dos profissionais de imprensa.
Deputadas federais, como Maria do Rosário e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), utilizaram as redes sociais para condenar o episódio. Segundo as parlamentares, o conteúdo reforça a urgência na aprovação de legislações específicas, como o PL da Misoginia, para combater o discurso de ódio e a violência de gênero no ambiente digital. Para mais detalhes sobre o posicionamento das entidades, acesse o portal da Abraji.
Fonte: bahianoticias.com.br
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