O Espaço Cultural Dona Neuza, um dos pilares da cena independente de Salvador, inicia uma nova fase em sua trajetória de quase três décadas. O local, que nasceu da iniciativa do músico e produtor Irmão Carlos Psicofunk, prepara-se para lançar um projeto abrangente de formação, produção e preservação da memória musical, consolidando seu papel como um centro de referência para novos talentos na capital baiana.
Trajetória e consolidação do polo cultural
A história do espaço remonta a 1998, quando Irmão Carlos adaptou a parte superior da casa de sua mãe, Dona Neuza, para criar uma sala de ensaio. A necessidade de um local para produzir música em um cenário que, na época, restringia o acesso de jovens negros e periféricos, transformou o ambiente familiar em um ponto de resistência cultural. Desde 2004, o Estúdio Caverna do Som atua como o coração técnico dessa estrutura, que evoluiu de um improviso com caixas de cerveja para um centro profissional de produção.
Formação e capacitação para artistas independentes
O novo projeto, com cronograma previsto para 2026 e 2027, foca na aceleração de carreiras através de nove oficinas mensais. Os temas abordam desde a criação musical e mixagem até direitos autorais e marketing digital. O programa inclui ainda um diferencial inclusivo: uma oficina de musicalização voltada especificamente para crianças neurodivergentes, reforçando o compromisso social da instituição.
Circulação e preservação da memória musical
Além da capacitação, o projeto promove a circulação de artistas por meio de shows presenciais com transmissão via YouTube. A primeira atração confirmada é o grupo Ministério Público, agendada para o dia 10 de outubro. Paralelamente, o espaço investe na digitalização de seu acervo histórico de quase 30 anos, preparando o terreno para uma exposição comemorativa que deve ocorrer em 2028.
Compromisso com a diversidade e acessibilidade
A gestão do projeto estabeleceu cotas afirmativas para pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência e pessoas trans, garantindo que a democratização do acesso seja um pilar central. A infraestrutura também passa por adequações para assegurar acessibilidade arquitetônica e comunicacional, permitindo que o Espaço Cultural Dona Neuza continue sendo um ponto de encontro plural para diferentes gerações da música baiana.
Fonte: atarde.com.br
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