Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam bastidores de uma complexa negociação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Os diálogos, que vieram a público através de reportagem do portal UOL, detalham desavenças entre o banqueiro e Roberta Rangel, então esposa do magistrado, durante tratativas relacionadas ao resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.
Tensões e disputas em torno do resort Tayayá
O conflito central das mensagens gira em torno da postura de Roberta Rangel. Em agosto de 2024, Vorcaro manifestou insatisfação ao advogado Walfrido Warde, alegando que Rangel teria falado negativamente a seu respeito. A situação era agravada por um processo judicial no qual a advogada representava uma empresa que cobrava uma dívida milionária da família do banqueiro.
Segundo o relato de Vorcaro, ele teria tentado, sem sucesso, convencer Rangel a abandonar a causa. O banqueiro destacou que, apesar de ter mantido relações profissionais com o casal, sentia-se prejudicado pela atuação da advogada, que havia sido remunerada pelo Banco Master após deixar o escritório de Warde em 2022.
O aporte financeiro e as cobranças de Vorcaro
No início de 2024, o ministro Dias Toffoli manifestou interesse em recomprar o fundo Arleen para retomar sua participação no resort Tayayá, propriedade que havia sido vendida anteriormente por R$ 20 milhões. Contudo, a transferência do ativo foi condicionada por Vorcaro a um novo aporte de R$ 15 milhões.
A partir de maio de 2024, as cobranças do banqueiro tornaram-se mais frequentes. Em conversas com seu cunhado, Fabiano Zettel, Vorcaro demonstrou preocupação com a demora na resolução do aporte e com o impacto que a situação poderia ter em processos de interesse do Banco Master que tramitavam no STF.
Bastidores da transferência e desfecho do negócio
A negociação envolveu diversos intermediários, incluindo o advogado Guilherme Lippi. Em determinado momento, a comunicação entre as partes apontou que o próprio ministro Dias Toffoli seria o responsável pelo travamento da transferência contratual. O imbróglio seguiu até que o empresário Alberto Leite fosse indicado como o comprador final.
O escritório de advocacia envolvido retirou-se das tratativas antes da conclusão do processo, ocorrida em 2025. O negócio foi finalizado entre Alberto Leite e Fabiano Zettel, resultando na transferência do patrimônio do fundo, avaliado em R$ 35 milhões, para uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Até o momento, os citados não se manifestaram sobre os diálogos revelados.
Fonte: bnews.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
