Uma força-tarefa coordenada pelo Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo realizou o resgate de 40 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em três municípios do Piauí. A operação, que envolveu o Ministério Público do Trabalho (MPT-PI), a Polícia Federal (PF), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Defensoria Pública da União (DPU), visou combater a exploração laboral em setores específicos da economia regional.
Fiscalização revela precarização do trabalho no Piauí
As diligências foram concentradas nas cidades de Sussuapara, Floriano e Oeiras. Em Sussuapara, a equipe de fiscalização identificou 22 trabalhadores atuando no setor da construção civil em situação de vulnerabilidade. Já em Floriano e Oeiras, o foco foi a extração de palha de carnaúba, onde foram resgatados, respectivamente, 8 e 10 trabalhadores, totalizando o grupo de 40 pessoas retiradas de condições degradantes.
Entre os trabalhadores encontrados em Floriano, foi identificado um adolescente de 17 anos. A presença de menores em atividades de risco reforça a gravidade das irregularidades encontradas pelas autoridades durante a inspeção nos locais de trabalho.
Condições degradantes e falta de direitos básicos
Durante as vistorias, os agentes constataram uma série de violações aos direitos fundamentais e às normas de segurança do trabalho. Os trabalhadores enfrentavam a ausência de instalações sanitárias adequadas, o consumo de água imprópria e a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), essenciais para garantir a integridade física nas atividades exercidas.
Além disso, os alojamentos onde os funcionários eram mantidos apresentavam superlotação e condições insalubres. O procurador Edno Moura, que acompanhou a operação, ressaltou a persistência dessas práticas ilegais e reforçou a necessidade urgente de garantir condições dignas de trabalho em todo o território estadual.
Acordos e medidas de reparação aos trabalhadores
Após a constatação das irregularidades, os empregadores firmaram compromissos para a regularização dos pagamentos devidos. O montante acordado para o pagamento de verbas rescisórias alcança a marca de R$ 200 mil, enquanto o valor destinado a danos morais individuais soma R$ 95 mil. Essas medidas visam mitigar os impactos causados pela exploração sofrida pelos trabalhadores.
Com os resgates realizados em 2026, o estado do Piauí contabiliza um total de 100 trabalhadores retirados de situações análogas à escravidão no período. O Ministério Público do Trabalho reforça que a atuação integrada entre os órgãos públicos é fundamental para o combate contínuo a esse crime, incentivando a população a realizar denúncias através dos canais oficiais, como o site da instituição ou via WhatsApp.
Fonte: bahianoticias.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
