Compartilhe
Link copiado com sucesso!

Patrimônio histórico de Minas Gerais sofre com o desaparecimento de mais de 2 mil peças sacras

Patrimônio histórico de Minas Gerais sofre com o desaparecimento de mais de 2 mil peças sacras

O patrimônio cultural de Minas Gerais enfrenta uma crise persistente, com mais de 2 mil obras de arte sacra ainda desaparecidas. Entre esculturas, imagens religiosas, pinturas e documentos históricos, o acervo subtraído de igrejas e museus alimenta um mercado clandestino que desafia as autoridades estaduais.

Um dos episódios mais notórios ocorreu em 2023, quando um rosário do século XIX foi furtado do Museu de Arte Sacra da Basílica de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. Embora os responsáveis pelo crime tenham sido identificados e condenados em 2025, a peça de valor inestimável permanece em paradeiro desconhecido, ilustrando a dificuldade de recuperação após o escoamento dos itens.

A atuação do Ministério Público e o Projeto Sondar

O Ministério Público de Minas Gerais tem intensificado os esforços para combater o tráfico desses bens. Segundo o promotor de justiça Marcelo Maffra, o Brasil é um dos países mais afetados pelo extravio de objetos religiosos, que frequentemente acabam em coleções particulares de indivíduos com interesse específico nesse tipo de mercado.

Para enfrentar o problema, o órgão atualizou a Plataforma Sondar, uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais. Lançada originalmente em 2021, a ferramenta agora conta com recursos tecnológicos avançados para catalogar e localizar itens furtados, apreendidos ou recuperados.

Tecnologia como aliada na recuperação de bens

A nova versão da plataforma introduziu funcionalidades estratégicas para auxiliar pesquisadores e a população. Entre as inovações, destaca-se a busca por imagem baseada em inteligência artificial, que permite comparar fotos de peças suspeitas com o banco de dados oficial.

Além disso, a integração com o Google Lens possibilita a varredura de imagens na web, enquanto um mapa interativo aponta as regiões mineiras com maior incidência de furtos. Essas ferramentas visam facilitar a identificação de objetos que, muitas vezes, carecem de registros detalhados ou documentação histórica completa.

Resultados e o desafio da identificação

Apesar da dimensão das perdas, o trabalho de investigação tem gerado resultados positivos. Nos últimos anos, cerca de 900 bens culturais foram recuperados pelo Ministério Público. Muitas dessas peças, como uma escultura de Santa Luzia resgatada pela Polícia Civil em 2009, permanecem sob a guarda do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, em Belo Horizonte.

O processo de reintegração dessas obras às suas comunidades de origem é complexo e depende da análise minuciosa de características como materiais, técnicas de pintura e detalhes iconográficos. A preservação desses itens é considerada essencial para a manutenção da memória histórica e religiosa do estado.

Fonte: g1.globo.com


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Nossos Parceiros

I Mais Lidas do Dia I

I Mais Lidas da Semana I

NOVA IGUAÇU
Rolar para cima