A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira (24), a Operação Ouro Reverso 2, uma ofensiva estratégica contra uma rede criminosa especializada na receptação e comercialização de metais preciosos de origem ilícita. O esquema, que operava com alta complexidade, abrangia desde a subtração de alianças e joias em vias públicas até o processamento industrial do material para reinserção no mercado formal.
Como medida cautelar para descapitalizar a organização, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 34,6 milhões em contas vinculadas aos investigados. A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, da Divisão de Investigações Gerais (DIG).
Logística do crime: do roubo ao processamento industrial
A investigação revelou uma estrutura hierarquizada e dividida em três frentes operacionais distintas. O primeiro nível era composto pelos executores, responsáveis pela abordagem direta às vítimas para a subtração das peças. Na sequência, o material era repassado a intermediários e lojistas, que atuavam como processadores, encarregados de derreter as joias para eliminar qualquer marca de identificação ou procedência.
O derretimento do ouro é considerado o ponto nevrálgico da operação, pois inviabiliza a perícia e a identificação das vítimas. Uma vez transformado em matéria-prima bruta, o metal era reintroduzido no mercado legalizado mediante a utilização de documentos fiscais fraudulentos, conferindo uma aparência de legitimidade ao produto final.
Lavagem de dinheiro e ocultação de ativos
O terceiro pilar do esquema era formado pelos financiadores, que gerenciavam a lavagem do capital ilícito. Segundo o Deic, o grupo utilizava empresas de fachada e a técnica de depósitos fracionados para movimentar os valores sem levantar suspeitas dos órgãos de controle financeiro. Essa estratégia visava ocultar a origem dos recursos e garantir a sustentabilidade econômica da rede criminosa.
Desdobramentos da operação em São Paulo
A operação mobilizou um efetivo significativo para o cumprimento de quatro mandados de prisão e 28 mandados de busca e apreensão. As diligências foram concentradas na capital paulista e no município de Guarulhos, na Grande São Paulo. O material apreendido durante as buscas passará por perícia técnica para auxiliar na continuidade das investigações e na identificação de outros possíveis envolvidos na cadeia de receptação.
Fonte: gazetabrasil.com.br
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