A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma investigação rigorosa após a identificação de uma ação criminosa que simulou uma operação policial na Zona Leste da capital. O caso envolve o policial civil Rafael Juergen Shult, lotado no 78º DP, suspeito de participar do sequestro de um jovem no bairro de Artur Alvim. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi agredida e colocada, algemada, no porta-malas de um veículo adaptado para se assemelhar a uma viatura descaracterizada.
Apreensão de viatura falsa e dinheiro ilícito
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do agente, as autoridades localizaram o automóvel utilizado na ação. O veículo apresentava dispositivos de sinalização luminosa, como giroflex no para-brisa e na grade frontal, configurando uma tentativa deliberada de ludibriar a população e as forças de segurança. Além do carro, foi encontrada na casa dos pais do policial uma quantia de dinheiro falsificado, que, segundo as investigações, seria destinada à compra de entorpecentes.
Dinâmica do crime e registros de monitoramento
As gravações obtidas pela polícia mostram que a abordagem ocorreu por volta das 22h20, em uma travessa da Rua Inês Monteiro. Inicialmente, um grupo de seis homens conversava no local quando a vítima foi surpreendida por dois indivíduos armados. Durante a luta corporal, disparos foram efetuados, conforme confirmado pela perícia que encontrou estojos de munição calibre 5.56, de uso restrito, no local do confronto.
Às 22h23, o veículo preto com luzes intermitentes aproximou-se, permitindo que outros homens, alguns portando fuzis e objetos semelhantes a distintivos, participassem da ação. Após ser imobilizado e algemado, o jovem foi forçado a entrar no porta-malas do carro, que deixou o local em seguida. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que não havia qualquer operação oficial programada para a região naquela data, reforçando o caráter criminoso da abordagem.
Andamento das investigações e paradeiro da vítima
Além de Rafael Juergen Shult, o irmão do policial também é alvo das investigações por suspeita de participação direta no crime. Até o momento, ambos permanecem foragidos. A Polícia Civil realizou buscas em unidades de saúde da região em busca de possíveis feridos, mas nenhum homem com ferimentos de arma de fogo deu entrada nos prontuários hospitalares. A vítima do sequestro segue desaparecida, e as diligências para localizá-la continuam sendo prioridade para as autoridades.
A defesa dos investigados, em nota enviada à TV Globo, limitou-se a declarar que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo, sem confirmar se o policial pretende se apresentar voluntariamente. A SSP informou que a placa do veículo utilizado no crime não consta nos registros oficiais, nem mesmo como pertencente a qualquer frota de viaturas policiais.
Fonte: g1.globo.com
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