Compartilhe
Link copiado com sucesso!

Por motivação política, Assembleia mantém Comissão de Segurança Pública paralisada há meses mesmo com Bahia liderando mortes violentas

Por motivação política, Assembleia mantém Comissão de Segurança Pública paralisada há meses mesmo com Bahia liderando mortes violentas

Mesmo com o agravamento da crise de segurança pública na Bahia, conforme os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) encerrou o primeiro semestre de 2026 sem instalar a Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública. A oposição atribui a paralisação do colegiado a razões políticas e não há previsão de que a comissão seja instalada no segundo semestre legislativo, que recomeça em agosto.

O impasse começou em fevereiro, quando o líder da oposição, deputado Tiago Correia (PSDB), indicou o deputado Leandro de Jesus (PL) para a presidência da comissão. Essa indicação seguiu um acordo entre os blocos de governo e oposição, que reservou o comando do colegiado à minoria. Apesar da indicação, as tentativas de instalação da comissão falharam devido à falta de quórum. Em março, reuniões convocadas para a eleição da presidência foram esvaziadas pela ausência de parlamentares da base governista. Em uma dessas reuniões, o então presidente interino, deputado Marcelino Galo (PT), registrou presença, mas a sessão não ocorreu devido à falta de deputados governistas. Parlamentares como Radiovaldo Costa (PT) e Hilton Coelho (PSOL) também não compareceram, sendo que Hilton se manifestou publicamente contra a eleição de Leandro de Jesus.

Naquele momento, a oposição destacou que a comissão estava paralisada por resistência política ao nome indicado, mesmo após o prazo regimental para a eleição da mesa diretora ter sido ultrapassado. Quatro meses depois, a situação permanece a mesma.

Na última quinta-feira (23), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revelou que a Bahia liderou o ranking nacional de mortes violentas intencionais em 2025, com 5.473 vítimas. O estado representou 13,4% de todas as mortes violentas no Brasil, sendo o único a ultrapassar a marca de cinco mil assassinatos, com um número 40,7% superior ao do Rio de Janeiro, que ficou em segundo lugar.

O levantamento também indicou que cinco cidades baianas — Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro — estão entre as dez mais violentas do país. Além disso, a Bahia apresentou uma taxa de 36,8 mortes violentas por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional.

Com a falta de funcionamento da principal comissão da Assembleia voltada para a discussão de políticas públicas de segurança, não ocorrem reuniões ordinárias, audiências públicas, convocações de autoridades, debates sobre projetos relacionados à segurança pública e o acompanhamento institucional dos índices de violência no estado. Com o encerramento do primeiro semestre legislativo sem avanços nas negociações, deputados da oposição informaram que não há previsão para a instalação da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública quando os trabalhos da Assembleia Legislativa forem retomados em agosto, prolongando um impasse que já dura praticamente todo o ano legislativo.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Nossos Parceiros

I Mais Lidas do Dia I

I Mais Lidas da Semana I

NOVA IGUAÇU
Rolar para cima