O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações e figura central na trajetória espiritual do senador Flávio Bolsonaro, mantém um posicionamento teológico que gera debates no cenário político nacional. Em sua obra A Bomba: A verdade pode ser explosiva, publicada originalmente em 2001, o líder religioso expressa uma condenação aberta à veneração da figura conhecida como “Rainha dos Céus”. O conteúdo, que voltou a circular recentemente, estabelece uma distinção doutrinária que ressoa diretamente nas articulações do pré-candidato à Presidência da República.
Divergências doutrinárias e o cenário eleitoral
A relação entre o parlamentar e a denominação evangélica intensificou-se nos últimos anos, culminando no batismo de Flávio Bolsonaro e de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, em 2024, em Brasília. A escolha da Comunidade das Nações como palco para o anúncio da pré-candidatura ao Planalto, em 7 de dezembro de 2025, sublinha a proximidade entre a agenda política do senador e as diretrizes espirituais defendidas por Carvalho. O impacto dessa aliança ganhou contornos públicos após declarações de Flávio sobre o papel do cristianismo no Estado, interpretadas por setores católicos como uma possível exclusão da figura de Maria como intercessora nacional.
Fundamentos teológicos e críticas ao culto
Para sustentar a rejeição ao culto à “Rainha dos Céus”, o bispo recorre a interpretações dos capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias. Segundo a tese apresentada em seus escritos, a queda do reino de Judá teria sido uma consequência da ira divina provocada por práticas de adoração a divindades femininas, que o autor associa a rituais pagãos da Antiguidade. Carvalho argumenta que tais práticas representariam uma disputa pela glória que, segundo sua visão teológica, deveria ser atribuída exclusivamente ao Criador.
O autor estabelece paralelos entre a iconografia cristã e figuras mitológicas, como Semíramis e Tamuz, sugerindo uma absorção de elementos do paganismo babilônico pelo calendário litúrgico. Embora essas teses sejam centrais no pensamento do bispo, é importante notar que, do ponto de vista acadêmico e histórico, a teoria de que a veneração mariana derivaria do culto a Semíramis carece de respaldo documental. A doutrina católica, por sua vez, refuta categoricamente a associação entre a devoção a Maria e entidades pagãs.
A influência literária no círculo familiar
A influência de JB Carvalho estende-se para além do púlpito, alcançando o ambiente familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Registros da imprensa, incluindo reportagens da Folha de S.Paulo, documentam a presença de obras do bispo em visitas realizadas a Jair Bolsonaro durante seu período de reclusão. Em 25 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro foi visto portando o exemplar Metanoia: A chave está em sua mente na Superintendência da Polícia Federal. Posteriormente, em 6 de janeiro de 2026, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entregou ao marido o livro A jornada de meninos a homens, reforçando a presença desse pensamento na formação intelectual e espiritual do grupo.
Fonte: atarde.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
