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Primeiras-damas deixam bastidores e disputam eleições ancoradas em clãs familiares

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Primeiras-damas deixam bastidores e disputam eleições ancoradas em clãs familiares
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Elas deixaram os bastidores e assumiram papéis públicos nas gestões de seus maridos, ganhando visibilidade nas redes sociais. Agora, buscam transformar esse capital político em votos nas eleições de outubro. Pelo menos seis mulheres que foram primeiras-damas em diferentes esferas de governo se lançam como candidatas, refletindo o avanço da participação feminina na política e a continuidade de projetos familiares de poder.

Três ex-primeiras-damas são pré-candidatas ao Senado e são vistas como favoritas em seus estados. Michelle Bolsonaro (PL-DF), Gracinha Caiado (União Brasil-GO) e Rayssa Furlan (Podemos-AP) estão entre elas. Desde a condenação e prisão de Jair Bolsonaro, acusando-o de liderar uma tentativa de golpe para se manter no poder, Michelle tem se destacado dentro do partido, enfrentando os filhos do ex-presidente na definição de palanques estaduais. Além de sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, ela se dedicará a apoiar a eleição de mulheres conservadoras para o Congresso.

Em Goiás, Gracinha Caiado é uma figura central na estratégia do grupo do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Enquanto articula sua candidatura ao Senado, ela acompanha as movimentações do marido, que se lançou candidato à Presidência. Gracinha iniciou sua trajetória política nos anos 1980, quando foi diretora da UDR (União Democrática Ruralista) na Bahia. Como primeira-dama, presidiu a Organização das Voluntárias de Goiás, que recebeu significativos repasses estaduais nos últimos anos.

No Amapá, a médica Rayssa Furlan concorre ao Senado pela segunda vez. Em 2022, ela perdeu para Davi Alcolumbre (União Brasil). Neste ano, seu marido, Antônio Furlan (PSD), é candidato a governador, e ambos formarão uma chapa. Rayssa, no entanto, nega que isso represente um clã familiar na política local, afirmando que a população distingue vínculos familiares de trajetórias pessoais.

A situação é semelhante em Alagoas, onde João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, renunciou à Prefeitura de Maceió em abril para concorrer ao governo do estado. Sua esposa, Marina Candia, se filiou ao mesmo partido e disputará uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado. Aliados do prefeito acreditam que ela possui atributos para a disputa majoritária, como carisma e boa imagem pública, além de representar uma renovação em um cenário que inclui adversários como Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB). Marina, que tem cerca de 500 mil seguidores nas redes sociais, intensificou suas atividades públicas e agora se apresenta como Marina JHC.

Em Mato Grosso, Virgínia Mendes, esposa do ex-governador Mauro Mendes, será candidata a deputada federal, em parceria com o marido, que concorre ao Senado. Ambos são filiados ao União Brasil. O crescimento dessas candidaturas evidencia uma dualidade: por um lado, ampliam a presença feminina em um ambiente tradicionalmente dominado por homens; por outro, levantam questionamentos sobre a renovação baseada em laços familiares.

A historiadora Dayanny Rodrigues, doutora pela Universidade Federal de Goiás, observa que o atual cenário de candidaturas de esposas de políticos se desenvolveu nos últimos anos. Em uma tese apresentada em 2021, ela definiu o "primeiro-damismo" como um fenômeno com práticas estratégicas ou táticas. No primeiro caso, as primeiras-damas legitimam os projetos políticos de seus maridos; no segundo, ampliam sua influência política e constroem um capital político próprio.

Esse perfil de primeira-dama com maior influência tem se consolidado no Brasil desde os anos 1980, especialmente em municípios, onde esposas de políticos começaram a se candidatar. Mesmo fora do cenário eleitoral, algumas primeiras-damas ganharam protagonismo, como Ruth Cardoso, Michelle Bolsonaro e Janja da Silva. Dayanny ressalta que o "primeiro-damismo" evoluiu ao longo da República, passando de uma atuação nos bastidores para uma função que, embora ofereça visibilidade, impõe comportamentos e modos específicos.

Além das candidaturas ao Senado e à Câmara, as eleições de outubro contarão com várias primeiras-damas disputando vagas nas Assembleias Legislativas, muitas delas esposas de prefeitos em exercício. Em São Paulo, Regina Nunes (MDB), primeira-dama da cidade, será candidata a deputada estadual. Ela é conhecida por sua militância na causa animal e é vista como uma das apostas do partido. Na Bahia, as primeiras-damas de Camaçari, Itabuna, Teixeira de Freitas e Luís Eduardo Magalhães também concorrerão a uma cadeira na Assembleia. Em Vitória da Conquista, o cenário é diferente, pois o marido da prefeita Sheila Lemos estreia nas urnas como candidato a deputado estadual.


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