A Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen, atravessa um ciclo de transformação profunda quase cinco anos após o início da gestão privada. Com um aporte de cerca de R$ 4 bilhões em investimentos desde 2021, a unidade focou em modernização tecnológica, confiabilidade operacional e melhorias nos indicadores ambientais. Segundo Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da empresa, a refinaria opera hoje em um patamar de eficiência superior, consolidando-se como um ativo estratégico para o abastecimento regional.
Modernização e eficiência operacional em Mataripe
O plano de investimentos da Acelen tem priorizado a estabilidade da produção, permitindo que a refinaria opere próxima à sua capacidade máxima de forma contínua. As paradas de manutenção programadas funcionam como etapas cruciais para a atualização de blocos industriais, garantindo que a planta se torne mais competitiva. Para o próximo ano, a empresa prevê uma parada significativa, que deve gerar entre 4 mil e 5 mil empregos diretos.
Além do ganho produtivo, a gestão destaca resultados ambientais expressivos. A refinaria reduziu o consumo de água em volume equivalente ao necessário para uma cidade de 80 mil habitantes, além de ter diminuído o consumo de energia em patamares comparáveis ao uso residencial de Roraima. A estratégia inclui ainda a diversificação do portfólio com projetos de energia solar e o desenvolvimento de uma biorrefinaria voltada à produção de diesel verde e querosene de aviação renovável a partir da macaúba.
Segurança de abastecimento e desafios de mercado
Responsável por 80% do consumo de derivados na Bahia e 42% no Nordeste, a refinaria desempenha um papel vital na segurança energética da região. Embora a capacidade instalada permita avançar para a marca de 300 mil barris de petróleo por dia, Marcelo Lyra ressalta que a expansão produtiva é uma decisão pautada pela viabilidade econômica e competitividade logística.
A empresa aguarda a autorização da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para ampliar a oferta de diesel, um movimento considerado urgente diante da escassez global do combustível. A logística de distribuição, contudo, impõe limites geográficos naturais, tornando a competitividade de preços o fator decisivo para a expansão em mercados periféricos, como partes do Centro-Oeste e o norte de Minas Gerais.
Equidade competitiva e política de preços
A política de preços da Acelen segue a paridade de importação, uma vez que o Brasil é estruturalmente dependente de insumos externos. O executivo defende que, para garantir um mercado equilibrado, é fundamental que haja equidade nas condições de acesso ao petróleo bruto. Lyra aponta que a Petrobras, por ser um player integrado, exerce influência significativa no mercado, e defende que os preços de transferência de petróleo para refinarias privadas deveriam ser rigorosamente iguais aos praticados internamente pela estatal.
Sobre especulações acerca de uma possível recompra da refinaria pela Petrobras, a posição da Acelen permanece técnica. O foco da gestão é manter a excelência operacional e a valorização do ativo, deixando decisões estratégicas sobre a estrutura acionária a cargo dos investidores. A meta, segundo o executivo, é assegurar que o ativo esteja sempre atualizado e eficiente, independentemente da configuração de mercado.
Para mais informações sobre o setor, acompanhe os dados oficiais da ANP.
Fonte: atarde.com.br
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