N/A

Sem Lula, esquerda fragmenta atos de 1º de Maio e reforça embate após veto a Messias

4 views
Sem Lula, esquerda fragmenta atos de 1º de Maio e reforça embate após veto a Messias

Após uma semana de derrotas do governo Lula no Congresso Nacional, movimentos de esquerda buscam intensificar a pressão sobre o Legislativo durante os atos do 1º de Maio, que ocorrem nesta sexta-feira. Por segundo ano consecutivo, o presidente não participará das manifestações sindicais. Em 2024, Lula criticou a baixa adesão ao ato realizado em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Para evitar um novo desgaste de imagem, a decisão foi preservá-lo.

O temor de baixa adesão também levou à descentralização das manifestações, que não ocorrerão em 2026, como nos anos anteriores. O Rio de Janeiro terá um grande ato na praia de Copacabana, marcado para as 14h. Em São Paulo, as frentes contarão com a presença de políticos próximos a Lula, que pretendem enviar um recado ao Congresso. A relação entre o governo e o Legislativo se deteriorou após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria.

A principal bandeira da esquerda será o fim da escala 6×1, uma proposta que já havia sido destacada no 1º de Maio do ano passado e que conta com a aprovação de 71% da população, segundo o Datafolha. Há duas semanas, o governo enviou um projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. Essa proposta é considerada mais flexível do que a PEC da escala 4×3, de autoria da deputada Erika Hilton, e tramita mais rapidamente no Congresso.

O governo busca aprovar a proposta antes das eleições deste ano, o que coloca os deputados e senadores em uma situação delicada, já que rejeitar a proposta pode prejudicar suas chances de reeleição. A insatisfação dos governistas com o Congresso, especialmente após a rejeição da indicação de Messias, motivou um esforço para aprovar o fim da escala 6×1 rapidamente. Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, afirmou que a classe trabalhadora está pressionando os deputados para que a lei seja aprovada.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, localizado em São Bernardo do Campo, organizará um dos principais atos desta sexta-feira, com início previsto para às 9h. A mobilização ocorrerá no centro da cidade e contará com discursos e apresentações musicais, incluindo a participação de Glória Groove, que teve seu hit "Vermelho" adotado pela militância petista durante a eleição de Lula.

A partir das 16h, o ato do ABC deve contar com a presença dos ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos, além do presidente do PT, Edinho Silva, e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que é pré-candidato ao governo paulista. Haddad se juntará às pré-candidatas ao Senado em São Paulo, Marina Silva e Simone Tebet, no ato promovido pela Força Sindical, que ocorrerá às 8h na sede do movimento, no bairro da Liberdade.

Às 9h, na praça Roosevelt, em São Paulo, o movimento VAT reunirá manifestantes em defesa da redução da jornada de trabalho, com a participação de Erika Hilton, do vereador Rick Azevedo e de Marina Silva. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, destacou a importância da data para lembrar as conquistas dos trabalhadores e pressionar por novas, como o fim da escala 6×1, que ele classificou como um clamor geral da classe trabalhadora.

Ele também defendeu a descentralização dos atos, afirmando que isso valoriza as categorias na defesa de pautas próprias. Torres acredita que o número de participantes em todo o país será expressivo e representativo, negando que a fragmentação das manifestações tenha sido motivada pelo receio de que elas sejam esvaziadas.

De maneira inusitada para o 1º de Maio, grupos de direita se reunirão na avenida Paulista, a partir das 11h. O ato será promovido por Patriotas do QG, Marcha da Liberdade e Voz da Nação, movimentos que integram o Projeto União Brasil, uma organização sem ligação com o partido de mesmo nome. O trio reservou o espaço na Paulista com antecedência, um critério utilizado pela Polícia Militar para ceder a via aos movimentos.

Nas redes sociais, os grupos afirmam que o ato servirá para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, pedir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e se posicionar contra o fim da escala 6×1. O senador Marcos Do Val confirmou presença no evento. O Patriotas do QG divulgou um vídeo feito com inteligência artificial, simulando um convite da ex-deputada Carla Zambelli, que está presa na Itália.

Os atos da esquerda em São Paulo incluem o evento do Sindicato dos Metalúrgicos e da Força Sindical às 8h, o ato da CSP Conlutas às 9h na Praça da República e o movimento VAT às 9h na Praça Roosevelt. Em São Bernardo do Campo, o ato do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ocorrerá às 9h no Paço Municipal. No Rio de Janeiro, o ato na praia de Copacabana está marcado para as 14h. O ato promovido pela direita em São Paulo será na avenida Paulista, às 11h.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rolar para cima