O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11) a retirada do sigilo da Petição 16.230, documento central da Operação Compliance Zero. A medida expõe os detalhes de uma ordem de bloqueio patrimonial que atinge o senador Jaques Wagner (PT) e outros 26 investigados, entre familiares e operadores financeiros, em um desdobramento que aponta para supostas irregularidades em transações financeiras e favorecimento político.
Bloqueio patrimonial e investigados na Operação Compliance Zero
A decisão judicial estabelece um limite global de constrição de R$ 5.955.250,00 para o grupo principal de investigados. O montante não é exclusivo do senador, mas abrange 16 alvos que teriam atuado em dois eixos distintos da investigação conduzida pela Polícia Federal. Entre os citados, figuram o enteado do parlamentar, Eduardo Mendonça Sodré Martins, e o articulador Guilherme Sodré, conhecido como “Guiga”.
Investigação sobre transações imobiliárias e financeiras
O primeiro eixo da apuração foca na aquisição de um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. A Polícia Federal aponta que os recursos teriam transitado pelo Hockenheim Fundo de Investimento, sob gestão da REAG Administradora de Recursos, antes de serem destinados à empresa Epitome S.A. O caso é associado ao chamado “escândalo da Reag”, que levanta suspeitas sobre a origem do capital utilizado na transação.
O segundo eixo investiga repasses de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações para a BN Financeira Ltda., entidade ligada à família do senador. Em decorrência deste núcleo, o ministro André Mendonça ordenou o bloqueio específico de R$ 3,5 milhões de Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Sodré e sócia da empresa, além de outros dois envolvidos no esquema.
Supostas vantagens e atuação política
A Polícia Federal sustenta que o esquema envolvia o recebimento de vantagens indevidas, como o uso de jatinhos particulares e ingressos de luxo para eventos internacionais, custeados pela REAG Investimentos. Segundo a acusação, em contrapartida, Jaques Wagner teria utilizado sua influência política para favorecer o Banco Master em pautas estratégicas, incluindo temas de crédito consignado e a fiscalização da compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
A decisão de tornar os documentos públicos atendeu a uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O processo também abriu o sigilo de inquéritos que envolvem figuras como os senadores Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, além do governador Cláudio Castro. Em nota, a defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e reitera que sua relação com os investigados não envolveu a concessão de benefícios ilícitos, conforme reportado pelo Bahia Notícias.
Fonte: bahianoticias.com.br
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