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Terremoto de magnitude 8,8 desperta vulcão inativo há quase 500 anos na Rússia

Terremoto de magnitude 8,8 desperta vulcão inativo há quase 500 anos na Rússia

Um poderoso terremoto de magnitude 8,8, registrado em julho de 2025 na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, provocou um fenômeno geológico raro: a reativação do vulcão Krasheninnikov. Após quase cinco séculos de inatividade, a estrutura vulcânica voltou a liberar colunas de fumaça, surpreendendo especialistas que monitoravam a região.

A relação causal entre o tremor e a erupção foi detalhada por uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido. O evento levanta novas questões sobre como sistemas vulcânicos aparentemente estáveis podem responder a perturbações sísmicas de grande escala.

Mecanismos de reativação do vulcão Krasheninnikov

A reativação do Krasheninnikov foi inesperada, uma vez que não havia sinais superficiais de atividade magmática antes do terremoto. Dados de satélite indicavam, inclusive, um leve subsidência do solo na área, sem emissão detectável de gases vulcânicos. O cenário mudou drasticamente apenas dois dias após o tremor de julho, quando uma sequência de sismos menores foi detectada ao redor da estrutura.

Análises indicam que cerca de 32 milhões de metros cúbicos de magma ascenderam de um reservatório localizado a aproximadamente seis quilômetros de profundidade. Esse movimento do material magmático na crosta terrestre foi o gatilho direto para a erupção observada logo após a atividade sísmica intensa.

A dinâmica interna e o papel da pressão de gases

Embora a magnitude do terremoto tenha sido elevada, os cientistas observaram que as mudanças diretas na pressão sobre o reservatório de magma foram relativamente pequenas. Isso sugere que o tremor, isoladamente, não teria força suficiente para forçar uma erupção imediata se o sistema não estivesse previamente preparado.

A hipótese central é que o magma, acumulado ao longo de séculos, estava saturado de gases. A vibração prolongada causada pelo terremoto teria atuado como um catalisador, favorecendo a formação e a expansão de bolhas no interior do magma. Esse processo elevou a pressão interna a um nível crítico, tornando o sistema instável e permitindo a ascensão do material.

Vulnerabilidade oculta em vulcões inativos

O fato de apenas alguns vulcões na região terem reagido ao terremoto reforça a tese de que cada estrutura responde de maneira distinta a estímulos externos. O Krasheninnikov encontrava-se em um estado que os pesquisadores classificam como “crítico oculto”. Nessa condição, o vulcão aparenta estabilidade na superfície, mas mantém condições internas propícias para uma erupção caso ocorra uma perturbação externa significativa.

O estudo, disponibilizado na plataforma EarthArXiv, ainda aguarda revisão por pares, mas já oferece uma perspectiva valiosa sobre a complexidade da interação sísmica-vulcânica. A descoberta reforça a necessidade de monitoramento contínuo, mesmo em vulcões que não apresentam atividade há séculos, visto que o risco de reativação pode ser subestimado.

Fonte: metropoles.com


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