Com Flávio Bolsonaro em busca de formar uma chapa pura do PL para sua campanha presidencial, a vereadora de Fortaleza, Priscila Costa, aliada de Michelle Bolsonaro, ganhou destaque entre os apoiadores como uma possível candidata a vice. Priscila é considerada uma boa opção por interlocutores de Flávio de diferentes setores. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), defende que a vice deve ser uma mulher do Nordeste. Conservadores ressaltam que a vereadora é evangélica, jovem, mãe e já exerceu o cargo de deputada federal durante parte da atual legislatura como suplente.
Outras parlamentares do PL também estão sendo cogitadas, como as deputadas federais Bia Kicis (DF) e Júlia Zanatta (SC). A equipe de Flávio vê Priscila como alguém com uma base eleitoral forte em seu estado, especialmente considerando que o bolsonarista enfrenta desvantagem em relação a Lula (PT) no Nordeste. Priscila declarou à Folha que não foi contatada pelo partido para discutir a chapa presidencial, mas vê a possibilidade com alegria e como um sinal de reconhecimento. Ela afirmou que o principal objetivo é garantir a vitória, mesmo que a escolha recaia sobre uma mulher de outro partido ou região.
Os gestos de reconciliação entre Flávio e Michelle, ocorridos na quinta-feira (23), favorecem Priscila, que foi um dos fatores da crise entre os dois há um mês. Priscila acredita que Michelle deseja união e paz, e que a postura de Flávio é motivo de otimismo. A preferência de Flávio é pela economista Daniella Marques (Republicanos), presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e autora do plano de governo do senador para mulheres. No entanto, a chapa com Daniella enfrenta a dificuldade de uma coligação com o Republicanos, o que parece improvável no momento.
A escolha da vice tem sido um impasse para a equipe de Flávio. A expectativa era que a definição ocorresse em julho, antes da convenção deste sábado (25), mas Marinho já admitiu que o evento do PL que oficializará a candidatura de Flávio deve ocorrer com a chapa incompleta. O partido deseja definir a vice até 5 de agosto, prazo final das convenções, e alguns dirigentes do PL acreditam que a decisão pode ser antecipada para 1º de agosto. Caso alguma legenda aceite a coligação com Flávio, a indicação do cargo de vice deverá ser feita por essa sigla, tornando a decisão dependente do término das negociações eleitorais.
Além do Republicanos, Flávio também considerava o PP, que poderia oferecer vices que atraíssem o eleitorado religioso, como as deputadas federais Clarissa Tércio (PE) e Simone Marquetto (SP). Contudo, a federação União Brasil-PP negou a possibilidade de coligação ao senador. O nome de Priscila foi testado em pesquisas encomendadas pelo PL, mas apresentou pouca ou nenhuma diferença em termos de votos, segundo fontes próximas aos levantamentos. Apesar disso, defensores da vereadora afirmam que ela possui atributos como ser nordestina, religiosa, eloquente e ter sido recordista de votos na eleição de 2024 em Fortaleza.
A relação próxima entre Priscila e Michelle, que poderia ser um obstáculo após o rompimento entre a ex-primeira-dama e Flávio, agora pode se tornar um ativo. Michelle, então presidente nacional do PL Mulher, nomeou Priscila como sua vice-presidente e defendia seu nome para disputar o Senado, em uma disputa com o comando do PL no Ceará, que optou por Alcides Fernandes. Para alguns aliados de Flávio, a escolha de Priscila não seria apenas para agradar Michelle, mas poderia ser vista como um gesto de pacificação. Como candidata a vice, Priscila poderia também restaurar a influência política da mulher de Bolsonaro, algo que é visto com cautela pelo entorno de Flávio.
Priscila afirmou que a orientação de Michelle para as presidentes estaduais do PL Mulher era fortalecer a campanha de Flávio em todas as unidades, apesar das desavenças. A vereadora se posiciona como uma ponte e defende a unidade e a maturidade. Ela declarou que compreende a importância de Michelle e que é natural que ela participe de suas construções. A eleição no Ceará foi o estopim da crise entre Michelle e Flávio, que se tornou pública em um vídeo. A cúpula do PL no estado oficializou, na quarta-feira (22), apoio a Ciro Gomes (PSDB), excluindo Priscila da disputa pelo Senado, contrariando a vontade de Michelle.
Em um vídeo divulgado na quinta-feira, Priscila anunciou sua candidatura a deputada federal e afirmou ter enfrentado "dificuldades e situações até injustas". Ela enviou uma mensagem ao próprio partido, afirmando que as mulheres devem permanecer firmes, mesmo quando tentam empurrá-las para o lado. Priscila declarou que sua missão não depende de homens, cargos ou vantagens políticas. A aproximação entre Priscila e Flávio ocorreu em 2023, quando ambos integraram a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Família. Ela também atuou como intermediária entre o senador e líderes da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.
Flávio busca uma vice mulher para reverter sua rejeição no eleitorado feminino, agravada pela crise com Michelle. No entanto, entre seus auxiliares, há quem defenda que a vice não precisa ser necessariamente uma mulher, e um nome cogitado nesse caso é o de Rogério Marinho.
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