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Dono da Voepass admite falhas e é indiciado após queda de avião que matou 62 pessoas

Dono da Voepass admite falhas e é indiciado após queda de avião que matou 62 pessoas

José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass, admitiu em depoimento à Polícia Federal (PF) que tinha conhecimento de uma “cultura de omissão” no registro de falhas técnicas da companhia aérea, investigada após a queda do voo 2283 em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas em 2024.

O empresário revelou que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) o alertaram sobre essa prática, onde pilotos evitavam formalizar problemas nos diários de bordo para não atrasar as aeronaves. O relatório da PF confirma que a omissão deliberada de registros de manutenção foi um fator central para o desastre.

Indiciamento e consequências legais

Com base nas evidências, a PF indiciou Felício Filho e mais 15 profissionais pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, agravado pela tragédia. Os indiciados incluem diretores de operações e manutenção, além de mecânicos e despachantes operacionais. O artigo 261 do Código Penal prevê penas de 2 a 5 anos de prisão, que podem aumentar em caso de morte.

Reconhecimento de falhas no dia do acidente

Durante o inquérito, Felício Filho reconheceu que a aeronave não deveria ter sido despachada para a rota em questão, especialmente considerando as falhas conhecidas no sistema de degelo. Ele afirmou que a tripulação estava ciente dos riscos, mas a decisão de realizar o voo foi tomada apesar das condições adversas.

Impacto na Voepass e no setor aéreo

Após o acidente, a Voepass enfrentou um colapso operacional. Em março de 2025, a Anac suspendeu todas as operações da empresa devido à identificação de falhas estruturais. Em junho do mesmo ano, a agência cassou os certificados de operação e manutenção da companhia, que agora enfrenta processos de reestruturação para lidar com dívidas significativas.

Posição da Voepass

A Voepass declarou que a segurança operacional sempre foi uma prioridade e que a empresa seguiu rigorosamente os protocolos da Anac. A companhia destacou que a tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes e que colaborou integralmente com as investigações.

Fonte: g1.globo.com


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