Uma investigação conduzida pela Polícia Civil da Bahia e pelo Ministério Público estadual (MP-BA) identificou o cabo do Exército Deivison dos Santos Ferreira como um dos principais articuladores no fornecimento de armamento pesado para facções criminosas. O militar, lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, teria utilizado sua posição para desviar e comercializar itens de uso restrito das Forças Armadas.
Origem das investigações e rastreamento digital
O caso ganhou contornos mais claros após uma operação policial realizada no bairro de Itapuã, em Salvador. Durante a ação, agentes apreenderam diversos aparelhos celulares em um imóvel utilizado por grupos criminosos como base para o armazenamento de entorpecentes e logística de armamento.
A perícia técnica nos dispositivos permitiu identificar conversas entre o militar e Gabriel Reis Oliveira, apontado como o responsável pelo abastecimento de arsenais para diferentes organizações criminosas. Embora o cabo tenha tentado utilizar emojis para mascarar sua identidade nas comunicações, ele acabou fornecendo dados sensíveis, como CPF e chave Pix, para viabilizar o recebimento de pagamentos ilícitos.
Volume de armamento e impacto da operação
Os levantamentos apontam que o esquema era de alta escala. Apenas para uma das células criminosas monitoradas, o militar teria vendido cerca de mil munições de fuzil, além de granadas e armas curtas. O volume de material bélico circulando sob a responsabilidade de facções elevou a gravidade da apuração, que culminou em uma ofensiva coordenada em diversos estados.
A operação resultou no cumprimento de 33 mandados de prisão. A maior parte das detenções, totalizando 27, ocorreu em Salvador e em municípios da Região Metropolitana. Desdobramentos da investigação também alcançaram o interior da Bahia, além dos estados de Sergipe e São Paulo, conforme detalhado em reportagem do BNews.
Situação do militar e posicionamento da defesa
Antes mesmo da deflagração da operação pela Polícia Civil, Deivison dos Santos Ferreira já estava sob custódia em uma unidade militar. O Comando da 6ª Região Militar confirmou que o cabo havia sido detido preventivamente pela Justiça Militar em um procedimento que investiga o desaparecimento de coletes balísticos pertencentes ao Exército Brasileiro.
Em nota oficial, a defesa do militar negou todas as acusações apresentadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Os advogados afirmaram que os esclarecimentos necessários serão prestados ao Poder Judiciário no momento oportuno, mantendo a estratégia de defesa dentro dos ritos processuais vigentes.
Fonte: bnews.com.br
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