Documentos oficiais ligados ao governo de Donald Trump e ao Congresso dos Estados Unidos revelaram a existência de um fundo de US$ 1 milhão destinado a financiar ações contra o que os organizadores definem como ativismo judicial e censura no Brasil. A iniciativa coloca a atuação de Eduardo Bolsonaro no centro de uma estratégia internacional voltada a pressionar o Poder Judiciário brasileiro.
Fundo internacional mira o Supremo Tribunal Federal
Os registros descrevem o montante como um recurso para apoiar a sociedade civil em uma ofensiva direta contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O material aponta que o objetivo central da iniciativa é combater a percepção de que a Corte brasileira estaria atacando a liberdade de expressão, inclusive com menções a decisões judiciais que afetaram publicações de figuras ligadas a Donald Trump em plataformas digitais.
A articulação ocorre em um cenário de tensão diplomática e jurídica. O fundo é apresentado como uma ferramenta para mobilizar apoio contra medidas tomadas no âmbito do inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que atingiram cidadãos residentes em território norte-americano.
O papel de Eduardo Bolsonaro na pressão externa
A atuação de Eduardo Bolsonaro aparece de forma nominal nos documentos, que detalham seus esforços para angariar apoio político nos Estados Unidos. Segundo os registros, o ex-deputado buscou ativamente o governo norte-americano para solicitar a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.
Embora o nome do parlamentar figure nos documentos, não há evidências de que ele tenha recebido recursos financeiros diretamente do fundo. Em manifestação pública realizada por meio do comentarista Paulo Figueiredo, o ex-deputado negou qualquer benefício financeiro, afirmando que não possui organizações não governamentais aptas a receber tais verbas.
Contexto de sanções e movimentações no Texas
Desde fevereiro de 2025, quando se mudou para o Texas, Eduardo Bolsonaro intensificou sua agenda em defesa de medidas punitivas contra autoridades brasileiras. Essa movimentação coincidiu com a adoção de sanções reais pelo governo de Donald Trump, incluindo a aplicação da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes e restrições de vistos para outros ministros do STF.
Além da pressão externa, a articulação buscava favorecer uma possível anistia para Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão em processos relacionados a tramas golpistas. A atuação do ex-deputado em solo americano é acompanhada de perto pelo Judiciário brasileiro, sendo citada inclusive em processos judiciais internos, como na condenação de Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, conforme reportado pelo UOL.
Fonte: atarde.com.br
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