A trajetória de Antônio Alves da Silva, conhecido como Camarão, é marcada por violência e crimes hediondos. Condenado por latrocínio (roubo seguido de morte), ele ingressou no sistema penitenciário do Distrito Federal em 1991, onde cumpriu pena por diversos crimes, incluindo assaltos e formação de quadrilha.
Nos primeiros anos na Papuda, Camarão desafiou a hierarquia dos presos e adotou uma postura agressiva, eliminando rivais e consolidando sua imagem como o “maior matador do sistema penitenciário do Distrito Federal”. Essa reputação foi oficialmente atribuída a ele em 2012, pelos gestores da unidade.
Apesar de seu histórico violento, Camarão obteve progressão para o regime semiaberto, permitindo-lhe trabalho externo. No entanto, em 21 de julho, ele não retornou ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP) e foi considerado foragido.
Recapturado em Luziânia (GO) no dia 4 de agosto, Camarão ainda enfrenta uma pena total de 146 anos e 10 meses, com previsão de término em 4 de agosto de 2066.
Eliminar rivais
Durante seu tempo na prisão, Camarão se destacou por planejar ataques a rivais utilizando armas improvisadas. Um caso notório ocorreu em 12 de dezembro de 2000, quando ele, acompanhado de um comparsa, invadiu a cela de Jorge Martins dos Santos. Com uma arma cortante feita de um vidro de pimenta, Camarão desferiu golpes fatais na vítima.
Enquanto Jorge era dominado, Camarão usou o gargalo de um vidro de pimenta, transformado em uma arma cortante improvisada, para desferir diversos golpes, principalmente na região do pescoço. O detento morreu dentro da cela em consequência dos ferimentos.
Em outra ocasião, ele matou um desafeto que ocupava a cela ao lado, utilizando uma colher para cavar um buraco na parede que separava as duas celas.
Uma ficha criminal que soma 146 anos de prisão
A ficha criminal de Camarão é extensa, com 11 condenações por homicídios, latrocínios, roubos, estupros e tráfico de drogas. Ao longo de quase duas décadas, ele acumulou penas por crimes cometidos tanto no Distrito Federal quanto em Valparaíso de Goiás.
Entre as principais condenações estão:
- 1998: 25 anos de prisão por latrocínio;
- 2004: 5 anos e 4 meses por homicídio;
- 2004: 18 anos e 6 meses por homicídio qualificado;
- 2005: 3 anos e 6 meses por tráfico de drogas;
- 2006: 17 anos e 9 meses por estupro e roubo agravado;
- 2007: 9 anos e 4 meses por roubo agravado;
- 2010: 20 anos por latrocínio;
- 2012: 22 anos e 9 meses por latrocínio;
- 2015: 7 anos e 4 meses por roubo agravado.
Por que um preso com esse histórico teve direito ao semiaberto?
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) explicou que a concessão do regime semiaberto depende de critérios objetivos e subjetivos, como o tempo de cumprimento da pena e o comportamento do preso. Camarão, segundo o tribunal, apresentava bom comportamento carcerário e havia cumprido as recomendações necessárias.
Infelizmente, foi durante esse benefício que ele fugiu, levando à sua recaptura em agosto.
Fonte: metropoles.com
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