O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou um relato grave ao gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF). Em depoimento, o ex-banqueiro afirmou ter sido alvo de tortura e ameaças por parte de agentes da Polícia Federal durante o período em que esteve sob custódia, alegando que as intimidações visavam impedir a formalização de um acordo de delação premiada.
Relatos de intimidação e condições de custódia
Segundo o relato de Vorcaro, as práticas de coação teriam ocorrido durante o transporte entre cidades. O empresário descreveu ter sido mantido em condições precárias, citando especificamente o confinamento em um espaço reduzido por um período de seis horas, sem ventilação adequada, durante um deslocamento aéreo entre São Paulo e Brasília.
O banqueiro afirmou que, ao ser retirado do local de confinamento, teria sido confrontado por agentes com frases intimidatórias sobre as possíveis consequências de suas revelações contra figuras de autoridade. Vorcaro relatou ainda ter sido transportado em um helicóptero utilizando acessórios que restringiam sua visão, comparando a experiência a procedimentos de segurança de alta complexidade, e declarou ter temido por sua integridade física em diversos momentos da custódia.
Contexto da oitiva no Supremo Tribunal Federal
A oitiva foi realizada no dia 27 de agosto, após a defesa de Vorcaro solicitar formalmente a intervenção do STF devido ao que classificou como graves ameaças contra o cliente. O procedimento ocorreu sem a presença de integrantes da Polícia Federal, sendo conduzido por um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça, com a participação de um representante do Ministério Público e dos advogados de defesa.
O depoimento busca dar visibilidade às alegações de obstrução de justiça que, segundo a defesa, estariam sendo perpetradas para evitar que informações sensíveis sobre o sistema financeiro e político cheguem aos investigadores. O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de custódia e a integridade dos processos de colaboração premiada no país.
Posicionamento da Procuradoria-Geral da República
Em resposta aos fatos narrados, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou, na quarta-feira (2), um pedido de arquivamento do depoimento. O órgão ministerial fundamentou a solicitação na ausência de elementos probatórios que sustentassem as denúncias de tortura e ameaças feitas pelo banqueiro.
A PGR argumentou que, até o momento, não foram anexadas evidências materiais ou testemunhais que corroborem as alegações de Vorcaro. A decisão final sobre o prosseguimento ou o encerramento da apuração sobre as denúncias de abuso de autoridade agora repousa sobre a análise do ministro relator no STF. Mais detalhes sobre o caso podem ser acompanhados através da cobertura do Poder360.
Fonte: gazetabrasil.com.br
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