A Polícia Federal localizou documentos em materiais apreendidos com dirigentes do Banco de Brasília (BRB) que indicam a existência de um suposto “canal direto com o STF” em transações financeiras envolvendo o Banco Master. O conteúdo, revelado pelo Estadão, detalha pagamentos milionários realizados a escritórios de advocacia, levantando questionamentos sobre a natureza das contratações e a relação entre os envolvidos.
Auditoria interna revela pagamentos milionários
Os documentos encontrados pela PF fazem parte de uma auditoria interna encomendada pelo próprio BRB para analisar operações com o Banco Master. O levantamento aponta que, apenas em 2024, o Banco Master destinou R$ 33 milhões ao escritório da advogada Dalide Corrêa. Além disso, a auditoria registrou o pagamento de R$ 40 milhões no mesmo período para o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de propriedade de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
O contrato firmado com o escritório de Viviane Barci de Moraes previa um montante total de R$ 131 milhões a serem pagos ao longo de três anos. A auditoria chamou a atenção para a falta de referências sobre o patamar habitual de gastos com serviços advocatícios, dificultando a avaliação do impacto financeiro desses contratos no modelo de negócio do banco.
Investigação sobre o suposto canal direto com o STF
O termo “canal direto com o STF” surgiu em conversas entre diretores do Banco Master interceptadas pela Polícia Federal. Em um diálogo registrado, o diretor financeiro Ângelo Ribeiro orientou o superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, a efetuar um pagamento ao escritório de Dalide Corrêa utilizando essa justificativa. O teor das mensagens não esclarece, contudo, o significado prático da expressão ou se houve influência real na Corte.
Até o momento, as investigações da Operação Compliance Zero não produziram avaliações sobre a legalidade dos contratos ou diligências específicas para apurar a efetiva prestação dos serviços advocatícios. Não foram encontradas, nos diálogos analisados, menções diretas ao ministro Gilmar Mendes ou a outros integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Histórico profissional e defesa dos envolvidos
Dalide Corrêa possui um histórico profissional que inclui a passagem pela diretoria do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro Gilmar Mendes. Segundo informações apuradas, a advogada deixou a instituição em 2017 após divergências administrativas, e o ministro teria se afastado dela desde então. Em 2022, Dalide também concorreu como suplente ao Senado por Goiás.
Em nota oficial, a defesa de Dalide Corrêa negou qualquer irregularidade. A advogada afirmou categoricamente que jamais atuou em favor do Banco Master junto ao Supremo Tribunal Federal e que nunca procurou ministros da Corte para tratar de interesses relacionados à instituição financeira.
Fonte: gazetabrasil.com.br
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
