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Eleições em Pernambuco: disputa polarizada chega ao mês decisivo com embate judicial

Eleições em Pernambuco: disputa polarizada chega ao mês decisivo com embate judicial

A um mês do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o dia 4 de outubro, o cenário político em Pernambuco intensifica a disputa pelo comando do Palácio do Campo das Princesas. O pleito é protagonizado pela governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e pelo ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), que concentram a vasta maioria das intenções de voto e travam um embate direto que, segundo especialistas, já apresenta contornos de segundo turno.

A corrida eleitoral tem sido marcada por uma intensa batalha judicial e trocas de acusações entre as principais coligações. Enquanto a governadora lidera as pesquisas de intenção de voto, a proximidade dos números e a margem de erro mantêm a expectativa sobre uma possível definição na primeira rodada ou a necessidade de um novo confronto nas urnas.

Concentração de votos e o cenário de primeiro turno

Embora existam oito candidaturas ao governo estadual, a polarização entre Raquel Lyra e João Campos domina o debate. Para o cientista político Juliano Domingues, a concentração de votos entre os dois principais nomes confere à campanha um caráter atípico. Historicamente, a maioria das eleições em Pernambuco foi decidida no primeiro turno, com exceção dos pleitos de 2006 e 2022.

O cientista político destaca que a possibilidade de encerrar a disputa em 4 de outubro depende da capacidade da governadora de manter sua votação acima dos 50% dos votos válidos. Com um cenário onde as candidaturas menores possuem pouco potencial de crescimento, o desempenho de Raquel Lyra na reta final será o fator determinante para evitar um segundo turno.

Desempenho nas pesquisas e avaliação de governo

Dados dos institutos Datafolha e Quaest, coletados após o início oficial da campanha em 16 de agosto, confirmam a liderança da atual governadora. Na pesquisa Datafolha de 21 de agosto, Raquel Lyra aparece com 47% contra 40% de João Campos. Já o levantamento da Quaest, divulgado em 25 de agosto, aponta 44% para a candidata do PSD frente a 36% do representante do PSB.

Além da intenção de voto, a avaliação da gestão estadual aparece como um trunfo para a governadora. Ambos os institutos apontam índices de aprovação superiores a 60%, o que, segundo Juliano Domingues, reflete a força de sua administração no interior do estado e a consolidação de uma base eleitoral que resiste à polarização nacional.

Estratégias digitais e o peso do horário eleitoral

No ambiente digital, João Campos mantém uma vantagem numérica, somando 4,4 milhões de seguidores nas redes sociais contra 2,8 milhões de Raquel Lyra. Enquanto o candidato do PSB busca fortalecer sua imagem através da associação direta com o presidente Lula, a governadora aposta na neutralidade em relação aos polos nacionais, focando na aprovação de seu governo.

A disputa pelo tempo de rádio e TV também foi um ponto de tensão, resolvido pelo TRE-PE. Após um imbróglio jurídico sobre a federação PSDB-Cidadania, a coligação de Raquel Lyra garantiu seu espaço na propaganda eleitoral. Apenas as chapas de Ivan Moraes, João Campos e Raquel Lyra superaram a cláusula de barreira, garantindo acesso ao guia gratuito.

Conflitos jurídicos e acusações de campanhas

A campanha tem sido marcada por uma escalada de litígios no TSE. O centro das controvérsias gira em torno de denúncias mútuas sobre a existência de estruturas de ataques, rotuladas pelas partes como “gabinetes do ódio”. A coligação de João Campos protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) alegando abuso de poder político e econômico.

Paralelamente, a campanha de Raquel Lyra denunciou a circulação de panfletos apócrifos contendo ataques pessoais à governadora, remetendo ao falecimento de seu marido, Fernando Lucena, em 2022. O caso foi levado às autoridades policiais, enquanto a coligação de João Campos repudiou o conteúdo dos materiais, intensificando o clima de hostilidade que marca o último mês de campanha. Para mais detalhes sobre o andamento do pleito, consulte o portal Justiça Eleitoral.

Fonte: g1.globo.com


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