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Empresário do setor de anabolizantes foge de operação policial na fronteira

Empresário do setor de anabolizantes foge de operação policial na fronteira

Um dos principais alvos da Operação Narciso, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conseguiu escapar do cerco das autoridades na tríplice fronteira e permanece foragido. O megaempresário Jorge Luiz Roa, conhecido no Paraguai como proprietário da loja de produtos farmacêuticos Jack Center, é apontado pelas investigações como um dos líderes de um esquema internacional de tráfico de substâncias ilícitas e anabolizantes.

Embora ostentasse uma vida de luxo nas redes sociais, com registros de viagens e festas, o empresário é acusado de ocupar o topo da cadeia criminosa que abastecia laboratórios ilegais em diversos estados brasileiros. A investigação revelou que ele atuava como sócio clandestino de Elisangela Pereira Acosta, que operava a partir de uma mansão em Foz do Iguaçu e mantinha conexões diretas com o mercado paraguaio.

Logística de distribuição e lavagem de dinheiro

Para contornar a fiscalização nas divisas, o grupo utilizava um método de camuflagem inusitado: as substâncias e insumos proibidos eram escondidos dentro de peças mecânicas de motocicletas. Após cruzarem a fronteira, os produtos eram embalados e despachados para todo o território nacional por meio de plataformas de e-commerce, serviços dos Correios ou através de freteiros contratados para o transporte clandestino.

A movimentação financeira do esquema era sustentada por uma rede de doleiros e contas de “laranjas”. Empresas de fachada, que incluíam casas lotéricas, estabelecimentos de materiais de construção e consultorias, eram utilizadas para dissimular a origem ilícita dos valores. Enquanto Jorge Luiz Roa segue sendo procurado, as autoridades já efetuaram a prisão de Elisangela Pereira Acosta e de outros integrantes da organização, como Roberto Carlos, conhecido como “Jiraya”.

Impacto da Operação Narciso no combate ao tráfico

A Operação Narciso, iniciada em 12 de agosto, é considerada uma das maiores investidas do ano contra o comércio irregular de substâncias controladas no Brasil. A ação desarticulou uma engrenagem complexa que envolvia a fabricação caseira, rotulagem e comercialização de produtos veterinários, suplementos adulterados e anabolizantes. O esquema possuía ramificações em pelo menos oito estados, além do Distrito Federal.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos. Além das prisões, a operação resultou no fechamento de mais de 20 estabelecimentos comerciais, na apreensão de 10 veículos de luxo — incluindo modelos Porsche e Audi — e na desativação de 30 sites que operavam a venda ilegal dos produtos.

Riscos sanitários do processo de fabricação artesanal

As investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone detalharam o processo conhecido pelos criminosos como “cozimento”. A produção ocorria em ambientes insalubres, como fundos de quintal e cozinhas residenciais, sem qualquer controle sanitário. Matérias-primas importadas da China, Índia e Paraguai eram misturadas a substâncias perigosas, como óleo de cozinha e óleos vegetais não esterilizados.

Essa falta de assepsia técnica tem gerado consequências graves para os usuários, incluindo infecções severas, abscessos e reações alérgicas. A viscosidade inadequada dos óleos utilizados na fabricação artesanal também está associada a casos de trombose, embolia e sepse, com registros de óbitos confirmados. O uso prolongado dessas substâncias ainda eleva o risco de AVC, hipertrofia cardíaca e impotência sexual.

Fonte: metropoles.com


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