Um amplo grupo composto por trezentos e oitenta empresários, executivos e representantes da sociedade civil enviou uma carta formal a Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O documento busca obter o compromisso de ambos com um conjunto abrangente de medidas econômicas, políticas e institucionais voltadas para o desenvolvimento do país.
Coordenada pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca, a iniciativa do grupo autointitulado Grupo Parlatório coloca no centro do debate a necessidade urgente de um ajuste fiscal rigoroso. A meta central pretendida pelos colaboradores é a redução da taxa básica de juros para sete vírgula cinco por cento ao ano, acompanhada por uma inflação controlada em três por cento até o final de dois mil e vinte e sete.
Metas fiscais e controle da dívida pública
Para viabilizar a queda dos juros, os signatários defendem a geração de um superávit primário de pelo menos um por cento do Produto Interno Bruto no próximo ano. O planejamento econômico estabelece que a relação entre dívida bruta e o Produto Interno Bruto fique abaixo de setenta por cento até dezembro de dois mil e trinta, buscando reverter o patamar atual registrado pelo Banco Central.
O documento sugere reformas estruturais profundas, incluindo a atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal, a revisão de despesas obrigatórias indexadas e o corte de supersalários no serviço público. Com essas ações, o grupo projeta um crescimento real médio superior a três por cento ao ano na próxima década, estimulando investimentos produtivos e o consumo doméstico sustentável.
Reformas estruturais e agenda para o judiciário
Na frente tributária, a recomendação é acelerar a reforma fiscal em curso, evitando aumentos na carga tributária global e reduzindo exceções setoriais. Paralelamente, a pauta administrativa propõe a reavaliação de desempenho de servidores, a diminuição de órgãos públicos e a ampliação contínua dos serviços digitais ofertados à população.
O pacote de propostas também alcança o Poder Judiciário, sugerindo critérios mais transparentes e rigorosos nas regras de indicação e aprovação de ministros para o Supremo Tribunal Federal. Outro ponto relevante é a convocação do Conselho da República para desenhar uma ampla reforma política nos primeiros meses de eventual gestão.
Sustentabilidade, comércio e segurança pública
No comércio exterior, os empresários exigem negociações firmes no contencioso internacional com os Estados Unidos e uma postura estratégica na defesa comercial perante a China. Na pauta ambiental, destacam-se metas ambiciosas como a neutralização das emissões da agropecuária até o ano de dois mil e quarenta e dois e a consolidação de um mercado regulado de carbono.
Por fim, a área de segurança pública ganha destaque com a proposta de integração operacional entre agências federais para desarticular o poder econômico das facções criminosas. O texto também defende a adoção de câmeras corporais nas forças federais e a manutenção da atual proibição do porte de armas como regra geral.
Fonte: politicalivre.com.br
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