Durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, a vereadora de Salvador Ireuda Silva (Republicanos) reforçou a necessidade de um debate urgente sobre as disparidades raciais que permeiam as estatísticas de agressão no Brasil. Segundo a parlamentar, a violência não atinge todas as mulheres de maneira uniforme, sendo as mulheres negras as principais vítimas de crimes letais devido à intersecção entre gênero e raça.
A vereadora, que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e atua como vice na Comissão de Reparação, argumenta que o combate efetivo à violência exige um olhar atento às especificidades da população negra. Para a parlamentar, o racismo estrutural e a desigualdade social são fatores que ampliam a vulnerabilidade dessas mulheres antes mesmo da ocorrência do feminicídio.
Dados revelam vulnerabilidade de mulheres negras
As estatísticas corroboram o alerta feito pela vereadora. Conforme o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, as mulheres negras representaram 63,6% das vítimas de feminicídio no país. O levantamento detalha um cenário preocupante onde o ambiente doméstico, frequentemente visto como um local de proteção, torna-se o palco principal da violência.
Os números indicam ainda que 70,5% das vítimas tinham entre 18 e 44 anos, evidenciando que a violência atinge mulheres em plena fase produtiva de suas vidas. Além disso, oito em cada dez casos foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros, reforçando a natureza íntima e recorrente das agressões que culminam em morte.
O ciclo da violência e a necessidade de políticas públicas
Ireuda Silva enfatiza que o feminicídio é apenas a face mais extrema de um ciclo contínuo de abusos. Esse processo pode incluir ameaças, agressões físicas e psicológicas, perseguição, violência sexual e controle financeiro. A vereadora defende que o Agosto Lilás deve servir como um catalisador para a implementação de políticas públicas permanentes e eficazes.
Para a parlamentar, a naturalização desses índices é inaceitável. Ela sustenta que cada dado estatístico representa trajetórias interrompidas e famílias desestruturadas, o que exige do poder público uma atuação que considere o racismo estrutural como um agravante central no atendimento e na proteção das vítimas.
Fonte: politicalivre.com.br
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