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“Político deve roubar menos” é a frase da semana eleitoral!

Em recente debate entre candidatos ao Senado por São Paulo, a candidata Simone Tebet, do PSB, pronunciou uma frase que certamente provocaria forte reação no debate político nacional: a classe política precisa “ter vergonha na cara, roubar menos e combater desperdícios e privilégios”.

A declaração rapidamente repercutiu. O candidato Guilherme Derrite reagiu afirmando que a classe política não deveria “roubar de jeito nenhum”.

Eis a questão: político não deve roubar menos. Político não deve roubar!

A utilização da expressão “roubar menos” pode transmitir, ainda que involuntariamente, uma ideia absolutamente incompatível com os princípios que devem nortear a administração pública: honestidade, responsabilidade, respeito ao dinheiro público e compromisso com o cidadão.

O Brasil não precisa de políticos que prometam roubar menos. Precisa de homens e mulheres que compreendam que o patrimônio público não lhes pertence.

Em 2022, durante a campanha presidencial, Simone Tebet fez críticas contundentes a Lula e afirmou que a corrupção não havia começado naquele governo, mencionando inclusive escândalos associados a governos anteriores. Posteriormente, no segundo turno, declarou apoio a Lula, decisão que ela própria descreveu como uma das mais arriscadas de sua trajetória política.

Em 2026, agora candidata ao Senado por São Paulo, sua declaração sobre a necessidade de a classe política “roubar menos” abre naturalmente espaço para questionamentos sobre coerência política e sobre o padrão ético que o eleitor deve exigir de seus representantes.

Não existe “roubar menos” aceitável na vida pública.

Existe honestidade ou desonestidade.

Existe respeito ou desrespeito ao patrimônio público.

Existe compromisso ou falta de compromisso com o cidadão.

A velha expressão “rouba, mas faz” precisa ser definitivamente rejeitada como critério de escolha eleitoral. Obras, programas e realizações administrativas não transformam corrupção em virtude.

E também é necessário reconhecer a responsabilidade do eleitor. O voto é um instrumento poderoso de cidadania. Quando o eleitor escolhe conscientemente alguém envolvido em práticas ilícitas, ou relativiza a corrupção porque determinado político “faz alguma coisa”, contribui para a perpetuação de uma cultura política que o Brasil precisa superar.

Por isso, a frase da semana eleitoral poderia ser outra:

POLÍTICO NÃO DEVE ROUBAR MENOS. POLÍTICO NÃO DEVE ROUBAR.

É esse princípio elementar que deveria orientar todos aqueles que desejam ocupar cargos públicos.

Quanto aos eleitores de São Paulo, caberá a cada cidadão analisar as propostas, a trajetória, as declarações e as posições dos candidatos e decidir livremente nas urnas.

No mais, tenho dito!

Ruy Matos
Jornalista profissional e colunista


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