A corrida pelo Palácio do Planalto entra em uma fase decisiva com o início do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a conclusão da primeira etapa do pleito, ambos os candidatos voltam suas atenções para o espólio eleitoral deixado pelos dez postulantes que não avançaram na disputa. O objetivo é conquistar os mais de 9,3 milhões de votos que foram destinados a esses nomes, um montante que representa cerca de 7,81% do total de votos válidos e que pode ser determinante para o resultado final em 25 de outubro.
Estratégia voltada aos eleitores de Cury, Santos e Caiado
O cenário atual coloca os dois finalistas em uma busca frenética por apoios estratégicos. Augusto Cury, que alcançou a terceira colocação com 2,89% dos votos, sinalizou, por meio de nota, que não pretende declarar apoio a nenhum dos finalistas, mantendo uma postura de distanciamento tanto do lulismo quanto do bolsonarismo. Da mesma forma, Renan Santos, que obteve 2,24% dos votos, manteve as críticas feitas durante a campanha a ambos os candidatos, sem indicar uma mudança de posicionamento para o segundo turno.
Já o governador Caiado, figura central na política de Goiás, adotou uma postura cautelosa. Após disputar o eleitorado de direita com Flávio, o gestor afirmou que pretende dialogar com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, antes de definir seu posicionamento oficial. A decisão de Caiado é observada com atenção, dado o seu histórico de alianças e a influência que exerce sobre o eleitorado conservador que, em eleições passadas, já caminhou ao lado de nomes ligados ao PL.
O desafio das abstenções recordes
Além dos votos dos candidatos derrotados, as campanhas enfrentam o desafio histórico das abstenções. O Tribunal Superior Eleitoral registrou a ausência de 33 milhões de eleitores no primeiro turno, o que corresponde a 21,08% do eleitorado total. Este índice é o maior registrado desde 1998, quando Fernando Henrique Cardoso conquistou a reeleição. A magnitude desse número é expressiva, sendo cerca de 15 vezes superior à diferença de votos entre Flávio e Lula.
A equipe de campanha de Lula, em particular, avalia que a mobilização desses eleitores ausentes pode ser um fator decisivo para reverter a desvantagem numérica. Enquanto o petista busca ampliar sua base, Flávio comemora a liderança obtida no primeiro turno e aposta no discurso de encerramento do ciclo petista para consolidar a vitória na etapa final do pleito.
Fonte: metropoles.com
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