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Governo Lula proíbe apostas esportivas e setor promete recorrer à Justiça

Governo Lula proíbe apostas esportivas e setor promete recorrer à Justiça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que determina o encerramento das atividades de casas de apostas, conhecidas como bets, em todo o território nacional. A decisão, formalizada em edição extra do Diário Oficial da União, impõe um cronograma rigoroso para a desativação das plataformas e a devolução de saldos aos usuários. O anúncio ocorre a nove dias do primeiro turno das eleições de 2026, gerando intensos debates políticos e jurídicos.

Reação do setor e ameaça de judicialização

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) manifestou forte oposição à medida, classificando-a como um retrocesso. Em nota oficial, a entidade afirmou que buscará o Poder Judiciário para reverter a proibição. Segundo a associação, a decisão ignora investimentos vultosos realizados pelas empresas, incluindo o pagamento de outorgas de R$ 30 milhões por licença, que previam um período de exploração de cinco anos.

O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, destacou que o setor pleiteará não apenas o ressarcimento dos valores pagos pelas outorgas, mas também indenizações por danos materiais e morais. A entidade argumenta que a proibição súbita coloca milhões de apostadores em situação de vulnerabilidade, empurrando o mercado para plataformas ilegais que operam fora da fiscalização estatal.

Cronograma de encerramento e devolução de valores

As diretrizes estabelecidas pelo governo preveem o bloqueio imediato de novos depósitos. Os apostadores têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para realizar o resgate de saldos remanescentes. A partir de 0h do dia 6 de outubro, todas as plataformas deverão estar fora do ar, cessando qualquer oferta de apostas ou publicidade.

Para garantir a proteção do consumidor, o processo de devolução seguirá etapas específicas:

  • 9 a 14 de outubro: prazo para que as instituições financeiras realizem a devolução dos saldos aos usuários.
  • A partir de 14 de outubro: a Caixa Econômica Federal assumirá a responsabilidade caso os bancos não consigam efetuar os repasses.
  • Após 180 dias: valores não movimentados serão transferidos integralmente para a conta da Caixa Econômica Federal.

Impactos no futebol e críticas políticas

A medida provocou reações imediatas no meio esportivo, com clubes como Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro manifestando preocupação com o impacto financeiro da proibição, que pode afetar contratos de patrocínio. O governo, por outro lado, defende a ação como uma medida de proteção social, comparando a disseminação das apostas a um problema de saúde pública.

No campo político, a decisão foi alvo de críticas da oposição. O candidato Flávio Bolsonaro classificou a iniciativa como eleitoreira e populista. O governo, contudo, reforçou que a força-tarefa de fiscalização será ampliada, envolvendo o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal para combater a operação de sites ilegais e o endividamento das famílias brasileiras, conforme detalhado em comunicados oficiais da Fazenda.

Fonte: metropoles.com


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