O grupo político liderado por Ronaldo Carletto, presidente estadual do Avante na Bahia, conduz conversas avançadas para uma possível mudança partidária para o Podemos. A concretização dessa transferência, no entanto, permanece condicionada ao desfecho jurídico envolvendo a federação que o Avante busca consolidar com o PRD e o Solidariedade.
Caso a Justiça Eleitoral valide que a nova federação superou os critérios estabelecidos pela cláusula de barreira, os políticos devem permanecer filiados ao Avante. Do contrário, a transição para o Podemos já está integralmente pactuada entre as lideranças envolvidas.
Negociações políticas e movimentação de parlamentares
Conforme apuração do Bahia Notícias, Ronaldo Carletto mantém diálogo direto com a presidente nacional do Podemos, a deputada federal Renata Abreu. A eventual mudança de legenda seria acompanhada de perto por parlamentares que compõem o grupo político do dirigente baiano.
Entre os nomes cotados para acompanhar a migração estão dois dos três deputados federais eleitos pelo Avante na Bahia no pleito de outubro. O grupo inclui Elmo Vaz, ex-prefeito de Irecê, além de Neto Carletto, sobrinho de Ronaldo.
Impacto da cláusula de barreira e formação de federação
Nem o Avante nem a Federação Renovação Solidária, estruturada por PRD e Solidariedade, atingiram de forma isolada o desempenho mínimo exigido pela cláusula de barreira nas eleições de outubro. A regra define patamares estritos de votação para garantir o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e televisão.
Para contornar o obstáculo, a cúpula do Avante optou por integrar a aliança, com aval da direção nacional e da assembleia da federação. A estratégia aposta na soma dos votos obtidos pelas três siglas para alcançar o índice necessário.
Parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral e cenários no TSE
A Procuradoria-Geral Eleitoral emitiu parecer favorável à soma dos votos voltada ao cálculo da cláusula de barreira, mesmo com a participação do Avante fora da federação durante o pleito. O vice-procurador-geral Eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa ressalvou que os votos não podem ser somados para a distribuição de cadeiras, mas atestou a viabilidade do uso conjunto para o desempenho eleitoral.
Dessa forma, dois cenários principais se desenham. Se o Tribunal Superior Eleitoral aceitar a união e validar a superação da cláusula de barreira, o Avante preserva seus recursos e o grupo de Carletto tende a permanecer na sigla.
Vantagem estrutural do Podemos
Caso a Justiça Eleitoral rejeite a federação ou entenda que a aliança pós-eleitoral é inválida para este fim, a transferência para o Podemos será efetivada. Diferente do Avante, o Podemos obteve êxito ao eleger 27 deputados federais, assegurando acesso pleno aos recursos financeiros e ao tempo de propaganda gratuita.
Fonte: bahianoticias.com.br
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