A economia brasileira enfrenta um novo momento de cautela após a divulgação do IPCA-15 de setembro, que registrou uma alta de 0,70%. O indicador, considerado a prévia oficial da inflação, revelou que o custo de vida voltou a subir, pressionado principalmente pelos grupos de Habitação, Transportes e Despesas Pessoais. Em Salvador, o índice ficou em 0,50%, refletindo um cenário de pressão sobre o poder de compra dos consumidores em diversas regiões do país.
Os dados, compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que itens essenciais como energia elétrica, passagens aéreas e alimentos voltaram a pesar no bolso. Especialistas apontam que a combinação de fatores climáticos e ajustes tarifários tem forçado as famílias a reavaliarem seus hábitos de consumo, buscando substituições ou reduzindo a compra de produtos básicos para equilibrar as contas mensais.
Impacto das tarifas de energia e custos de moradia
O grupo de Habitação foi o principal responsável pela aceleração da inflação no período, apresentando uma alta de 2,07%. O destaque negativo ficou com a energia elétrica residencial, que disparou 7,42% em setembro, revertendo a queda observada no mês anterior. Esse movimento foi impulsionado pelo fim do Bônus de Itaipu e pela manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona custos extras a cada 100 Kwh consumidos.
Além da eletricidade, o gás encanado subiu 0,92% e as taxas de água e esgoto registraram alta de 0,03% no cenário nacional. Em Salvador, o impacto nos serviços de saneamento foi mais acentuado, atingindo 0,46% após reajustes aplicados pela Embasa. Esse cenário de elevação nos custos fixos reduz a margem de manobra das famílias, que precisam destinar uma fatia maior da renda para a manutenção básica do lar.
Transportes e a alta das passagens aéreas
O setor de Transportes registrou uma elevação de 0,60%, sendo fortemente impactado pelo aumento expressivo nas passagens aéreas, que subiram 9,82% em setembro. O custo dos combustíveis também contribuiu para o resultado, com a gasolina apresentando alta de 0,30% e o gás veicular registrando 1,56% de aumento.
A logística de circulação de pessoas e mercadorias permanece sensível às variações de preços internacionais e internos. O encarecimento do transporte reflete diretamente na cadeia de distribuição, gerando um efeito cascata que pode ser sentido em diversos outros setores da economia, mantendo a pressão sobre o índice geral de inflação.
Oscilações no preço dos alimentos
Após meses de alívio, o grupo de alimentação e bebidas voltou a subir, com uma estimativa de alta de 0,40%. O tomate foi o principal vilão, com uma disparada de 20,76% no mês, acumulando uma alta de 43,08% ao longo de 2026. A perecibilidade do fruto e a dependência de condições climáticas ideais explicam a volatilidade extrema do preço nas gôndolas.
Outros itens da cesta básica também apresentaram variações significativas, como o arroz, com alta de 2,39%, e as carnes, que subiram 1,30%. Por outro lado, o café registrou uma queda de 1,36% em setembro, mantendo a tendência de recuo iniciada em agosto. A redução na oferta de animais para abate e o aumento das exportações indicam que o preço da carne pode manter uma trajetória de crescimento nos próximos meses.
Riscos climáticos e o fenômeno El Niño
A perspectiva para os próximos meses é de incerteza, agravada pela influência do fenômeno climático conhecido como Super El Niño. A expectativa de estiagens prolongadas no Norte e chuvas intensas no Sul do país gera preocupação com a produtividade agrícola, podendo causar prejuízos bilionários ao setor, estimados em mais de R$ 13 bilhões pela Federação de Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB).
O consultor de economia e finanças Antonio Carvalho alerta que a instabilidade climática eleva os custos de produção, desde a necessidade de irrigação extra até gastos logísticos. Esse cenário pressiona a oferta de alimentos frescos, como frutas e legumes, e pode resultar em novas altas de preços, impactando diretamente a qualidade de vida e o orçamento das famílias brasileiras.
Fonte: atarde.com.br
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