Um relatório da Polícia Federal (PF) trouxe à tona novas evidências sobre a movimentação financeira da lobista Roberta Luchsinger durante o ano de 2025. O documento detalha o uso de vultosas quantias em dinheiro vivo, que estariam ligadas a uma rede de contatos próxima a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos são alvos de inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência.
A investigação baseia-se em dados extraídos de um aparelho celular apreendido pela corporação em dezembro do ano anterior. As mensagens recuperadas pelos peritos indicam que um operador financeiro, que também atuava como motorista da empresária, teria sido o responsável por recolher R$ 300 mil em espécie com uma pessoa cuja identidade ainda não foi revelada pelas autoridades.
Detalhes da operação financeira e pagamentos aéreos
Os diálogos obtidos pela Polícia Federal descrevem a logística da transação, realizada em pacotes lacrados. Em uma das mensagens, Roberta Luchsinger instrui o colaborador: “Quando você pegar o dinheiro me avisa”. Em resposta, o interlocutor confirma a entrega: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei, pq está em pacotes lacrados”. O montante foi dividido em duas partes, totalizando R$ 100 mil e R$ 200 mil.
Parte desses recursos, estimada em R$ 50 mil, teria sido destinada ao pagamento de uma agência de turismo. A PF apurou que o estabelecimento era utilizado com frequência para a emissão de bilhetes aéreos em nome de Roberta e de Lulinha. Em uma comunicação datada de agosto de 2025, a lobista demonstra urgência ao mencionar: “Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fábio”.
Investigações sobre tráfico de influência
O caso integra um conjunto de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde o final de julho. As autoridades buscam esclarecer se houve uma atuação coordenada entre Lulinha, Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para influenciar decisões no governo federal.
A relação entre a empresária e o filho do presidente ganhou notoriedade após a deflagração da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS. Além das transações, o relatório da PF destaca relatos de Roberta sobre despesas mensais próximas a R$ 100 mil para a manutenção de uma residência supostamente utilizada por Lulinha.
Posicionamento da defesa
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, refutou veementemente as acusações. Segundo o defensor, não houve qualquer irregularidade e, no período mencionado, a lobista não realizou o pagamento de passagens aéreas para o filho do presidente, que reside em Madri, na Espanha.
Carvalho classificou a divulgação dos dados como “vazamentos criminosos” e afirmou que o objetivo seria interferir no cenário eleitoral de 2026. O advogado sustentou que o processo deve ser anulado, comparando a condução das apurações atuais aos métodos utilizados na Operação Lava Jato. A defesa de Roberta Luchsinger optou por não se manifestar sobre o conteúdo das mensagens.
Fonte: metropoles.com
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
