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Justiça decreta falência do Grupo Ricoy e encerra operações de rede varejista

Justiça decreta falência do Grupo Ricoy e encerra operações de rede varejista

O cenário do varejo brasileiro sofre um impacto significativo com a decretação da falência do Grupo Ricoy. A decisão, proferida pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, no dia 28 de agosto, marca o fim das atividades de uma das redes mais tradicionais do setor no estado.

O processo de encerramento atinge um ecossistema de 33 empresas vinculadas ao grupo, abrangendo operações do Vencedor Atacadista, além de holdings e distribuidoras. A rede, que chegou a manter 96 lojas próprias distribuídas por mais de 70 cidades, enfrenta agora a liquidação de seus ativos para tentar sanar um passivo financeiro expressivo.

Crise financeira e o fim da recuperação judicial

A trajetória rumo à falência foi consolidada após o fracasso das tentativas de reestruturação. O grupo, que iniciou o processo de recuperação judicial em outubro de 2025, acumulou uma dívida estimada em R$ 461 milhões. A inviabilidade do negócio tornou-se evidente quando os credores rejeitaram o plano de recuperação em assembleia realizada no dia 14 de julho.

A proposta não alcançou o quórum necessário na Classe III, composta por credores quirografários. Sem o suporte da maioria, a Justiça entendeu que não havia base legal para aplicar o mecanismo de cram down, que permitiria a imposição judicial do plano. A situação foi agravada pela ausência de documentos obrigatórios, como relatórios financeiros e contábeis, que deixaram de ser enviados pelo grupo a partir de fevereiro de 2026.

Irregularidades e impacto no quadro de pessoal

Além da insolvência, o processo judicial apontou irregularidades graves na gestão do grupo. Investigações detectaram o desvio de receitas por meio de máquinas de cartão, que direcionavam pagamentos para empresas externas ao conglomerado. Em agosto, foi constatado que nenhuma das unidades da rede mantinha operação plena, confirmando o colapso das atividades comerciais.

O desfecho impacta diretamente mais de 5 mil funcionários que compunham o quadro de colaboradores da rede. Agora, o foco do Judiciário concentra-se na arrecadação e avaliação dos bens remanescentes das 33 empresas. Conforme reportado pela revista Exame, o objetivo central é realizar leilões para levantar recursos destinados ao pagamento dos 4.671 credores identificados no processo, seguindo rigorosamente a ordem de preferência estabelecida pela legislação brasileira.

Fonte: atarde.com.br


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