O presidente Lula (PT) fez um gesto positivo a jornalistas nesta sexta-feira (19) ao ser questionado sobre a permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado. A indagação ocorreu enquanto Lula cumprimentava a plateia no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte (MG). O presidente não parou para dar declarações à imprensa e, durante seu discurso, não mencionou o episódio que envolve seu aliado. Wagner foi alvo, na quinta-feira (18), da nova fase da Operação Compliance Zero.
A Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador recebeu pagamentos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa de sua nora, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. O senador nega qualquer ilegalidade.
Em Belo Horizonte, Lula anunciou investimentos de R$ 89,3 milhões para o Hospital Luxemburgo, que agora é uma unidade 100% SUS. O hospital, vinculado ao Instituto Mário Penna, é referência em oncologia em Minas Gerais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participou do evento. Durante seu discurso, ele apresentou dados sobre programas da pasta e, em tom eleitoral, criticou o governo anterior de Jair Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Minas, Romeu Zema (Novo), que é pré-candidato à presidência. Padilha afirmou que já houve um presidente que se negava a investir em estados cujos governadores não o apoiavam, referindo-se a Bolsonaro, e destacou que a postura de Zema "não impediu que o governo federal investisse no estado".
Esta é a 16ª visita de Lula a Minas Gerais em seu atual mandato. O aumento das agendas no estado ocorre em meio às dificuldades do partido em estabelecer um palanque para as eleições de 2026. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, e desde a redemocratização, o candidato à presidência que vence no estado costuma chegar ao Palácio do Planalto.
Após tentativas frustradas de convencer o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB), a permanecer na vida pública, os petistas buscam alternativas para uma candidatura ao governo de Minas. As conversas com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), não avançaram, e agora surgem como possíveis candidatos o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), e o ex-procurador geral de Justiça, Jarbas Soares (PSB). Também são mencionados o ex-presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva (PSB), e a ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart (PT).
Após o evento em Belo Horizonte, Lula seguirá para Divinópolis, onde inaugurará um hospital regional. A cidade é um reduto político do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as últimas pesquisas de intenção de voto para o governo estadual. Cleitinho, que apoia a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, ainda não decidiu se lançará sua candidatura para este ano. O senador mineiro não deve comparecer ao evento.
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