Mudanças climáticas: o cenário de vulnerabilidade no Distrito Federal
O Distrito Federal enfrenta um desafio crescente diante das mudanças climáticas, com um cenário marcado por temperaturas elevadas, redução no volume de chuvas e episódios de estiagem severa. De acordo com o Painel Clima Brasil, elaborado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a capital federal cumpriu apenas 3 dos 15 pilares essenciais para o enfrentamento dos efeitos do aquecimento global, evidenciando uma lacuna significativa na preparação para eventos extremos.
A pesquisa aponta que o Distrito Federal está abaixo da média dos estados em diversos indicadores de governança ambiental. Um dos pontos mais críticos é a ausência de mapeamento das populações vulneráveis, o que impede a criação de estratégias eficazes para proteger os cidadãos mais expostos aos impactos das alterações climáticas nas próximas décadas.
Desigualdade urbana e a falta de justiça climática
A “justiça climática” é um dos indicadores com menor pontuação na auditoria realizada. O fenômeno é visível na disparidade entre as regiões administrativas: enquanto o Plano Piloto possui infraestrutura e áreas verdes, regiões como Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente e Samambaia sofrem com a falta de planejamento urbano adequado. A ausência de redes de drenagem e de vegetação agrava os riscos de alagamentos durante tempestades, que tendem a se tornar mais agressivas.
Além dos alagamentos, a falta de áreas verdes contribui para o agravamento das ilhas de calor, fenômeno onde o asfalto e o concreto retêm temperaturas muito superiores às das áreas rurais. Esse desequilíbrio térmico, somado à poluição decorrente de queimadas, impõe riscos diretos à saúde pública, aumentando a incidência de problemas respiratórios, desidratação e a proliferação de doenças como a dengue, que encontra em ambientes urbanos aquecidos o cenário ideal para a reprodução do mosquito vetor.
Fragilidade orçamentária e desafios de gestão
Embora o Distrito Federal possua um arcabouço legislativo avançado para tratar do clima, a implementação prática das medidas esbarra na escassez de recursos financeiros. A auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) revelou que, ao analisar as Leis Orçamentárias Anuais (LOAs) de 2024 e 2025, não foram identificadas ações orçamentárias específicas voltadas à política climática, uma falha confirmada pela equipe técnica da Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
O relatório destaca que o diagnóstico atual sobre os riscos climáticos é genérico e carece de metas com prazos, responsáveis e indicadores claros. Para especialistas, como o auditor Dashiell Velasque da Costa, a prioridade deve ser o fortalecimento do financiamento e a criação de um mapeamento detalhado de riscos, passos fundamentais para que as políticas de mitigação saiam do papel e protejam efetivamente a população contra os efeitos das mudanças climáticas.
Fonte: g1.globo.com
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