Um novo estudo da World Weather Attribution (WWA) aponta que as mudanças climáticas, impulsionadas pela ação humana, duplicaram a probabilidade de condições extremas que favorecem os incêndios florestais no Canadá. A pesquisa se concentrou nos incêndios em Ontário e nos Territórios do Noroeste, áreas severamente afetadas desde o início de julho, resultando na evacuação de milhares de pessoas e na exposição de milhões a níveis perigosos de fumaça.
Até agora, mais de 3,8 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas, uma área equivalente a duas vezes o estado de Sergipe. Os pesquisadores destacam que o aquecimento global tem intensificado a ocorrência de períodos quentes e secos, tornando a vegetação mais inflamável e facilitando a propagação e a intensidade dos incêndios.
Condições climáticas favoráveis ao fogo
O estudo não se propôs a determinar se a mudança climática foi a causa direta de cada incêndio, já que esses podem ser iniciados por diversas razões, como raios ou ações humanas. Em vez disso, a pesquisa focou nas condições climáticas que permitem que as chamas se espalhem rapidamente e se tornem mais difíceis de controlar. Entre essas condições estão:
- Temperaturas elevadas
- Pouca umidade
- Falta de chuva
- Vegetação ressecada
Frequência dos incêndios sob o aquecimento global
De acordo com os pesquisadores, no clima atual, condições propensas a incêndios podem ocorrer uma vez a cada dois a seis anos nos Territórios do Noroeste e a cada seis a 15 anos em Ontário. Sem a influência das mudanças climáticas, essas condições seriam esperadas a cada 40 anos. A análise combinou dados meteorológicos e modelos climáticos, revelando que o aquecimento causado pelo ser humano tornou esses eventos duas vezes ou mais prováveis.
Impacto nas comunidades e resposta ao desastre
A rápida propagação dos incêndios e a ocorrência simultânea deles têm pressionado as equipes de resposta, mesmo com o aumento dos investimentos em prevenção e combate. Comunidades indígenas foram desproporcionalmente afetadas, sendo muitas vezes as primeiras a serem evacuadas de áreas de risco. O pesquisador Theodore Keeping, do Imperial College London, destacou que a atividade do fogo nos Territórios do Noroeste é comparável à do pior ano já registrado para essa época, enquanto a área queimada em Ontário já se aproxima do dobro do recorde anterior.
Conclusões e alertas sobre a mudança climática
Os cientistas enfatizam que a mudança climática é um fator central por trás dos incêndios de proporções sem precedentes. A professora Friederike Otto, também do Imperial College London, reiterou que a ciência tem sido clara sobre o impacto da queima de combustíveis fósseis, que torna esses incêndios mais frequentes, intensos e difíceis de conter. A pesquisa reforça a necessidade urgente de ações para mitigar as mudanças climáticas e proteger as comunidades vulneráveis.
Fonte: g1.globo.com
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