A Nissan, uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo, atravessa um dos períodos mais críticos de sua trajetória corporativa. Em um esforço para conter prejuízos bilionários e adaptar-se a um mercado automotivo cada vez mais competitivo, a companhia colocou em prática um plano de reestruturação que prevê a eliminação de aproximadamente 20 mil postos de trabalho ao redor do globo.
O corte representa cerca de 15% da força de trabalho total da montadora. O processo, que ocorre de forma gradual, impacta divisões administrativas, comerciais, logísticas e industriais. A estratégia de enxugamento foi aprofundada em maio de 2025, quando a empresa elevou a meta inicial de 9 mil demissões para o patamar atual, visando uma redução de custos operacionais na ordem de 500 bilhões de ienes.
Reorganização da rede industrial e fechamento de unidades
Além da redução de pessoal, a Nissan está redesenhando sua presença fabril. A meta da montadora é reduzir sua estrutura mundial de produção de 17 para dez unidades. Esse movimento estratégico envolve o encerramento definitivo de plantas históricas e a consolidação de operações em complexos mais eficientes.
Na Argentina, a unidade de Santa Isabel encerrou a fabricação de veículos em outubro de 2025. No México, a tradicional fábrica de CIVAC, que operava desde 1966, teve suas atividades encerradas em março de 2026, com a produção sendo concentrada no complexo de Aguascalientes. O Japão também será impactado, com o fechamento previsto das unidades de Shonan, até março de 2027, e Oppama, até março de 2028.
Desafios financeiros e concorrência no mercado global
A necessidade de reestruturação surge após uma sequência de resultados financeiros negativos. No ano fiscal encerrado em março de 2025, a Nissan reportou um prejuízo líquido de 671 bilhões de ienes. O cenário se repetiu no exercício seguinte, com perdas de 533,1 bilhões de ienes e uma queda de 5,8% nas vendas globais, totalizando cerca de 3,15 milhões de veículos comercializados.
A empresa enfrenta a pressão crescente de fabricantes chinesas, especialmente no segmento de veículos elétricos, além de perder espaço em mercados estratégicos como os Estados Unidos e a China. O fracasso nas negociações para uma possível fusão com a Honda, que visava a criação de um gigante do setor, também contribuiu para a urgência das medidas adotadas sob a gestão do CEO Ivan Espinosa, que assumiu o cargo em abril de 2025.
Impactos e perspectivas para a operação no Brasil
Apesar da abrangência global do plano, a fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, permanece nos planos da companhia. O complexo, responsável pela produção dos modelos Kicks e Kait, concluiu recentemente um ciclo de investimentos de R$ 2,8 bilhões voltado à modernização e preparação de novas linhas de montagem.
O Brasil, contudo, não passou totalmente imune às mudanças. A montadora optou por encerrar seu centro de design em São Paulo, alinhando-se à nova política mundial de desenvolvimento e design da marca. Até o momento, a Nissan não anunciou demissões em massa ou o fechamento da unidade fluminense, focando na recuperação da rentabilidade, que já apresentou sinais de melhora com o lucro operacional de 77,9 bilhões de ienes registrado no trimestre encerrado em junho de 2026. Para mais detalhes sobre o setor, consulte o portal Nissan Global.
Fonte: bnews.com.br
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