A Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Terra Santa nesta quarta-feira (22), resultando no resgate de nove internos em situação de cárcere privado em uma clínica de reabilitação situada na zona rural de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. Durante a ação, os agentes prenderam o gerente do estabelecimento, que é acusado de tortura e maus-tratos, além de apreenderem medicamentos controlados. A operação também ampliou as investigações relacionadas a dois homicídios e à possível atuação de uma organização criminosa.
O cenário encontrado pelos policiais revelou graves violações aos direitos dos internos. No total, 39 pacientes foram resgatados em condições de cárcere privado. Os agentes descobriram quartos trancados por fora com cadeados e trancas, além de cercas com fios eletrificados nos telhados, que visavam impedir fugas.
A operação foi coordenada pela 20ª Delegacia Territorial de Candeias, parte do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e teve início a partir das investigações sobre o desaparecimento e homicídio de Iago Marques Formiga, de 33 anos, que era motorista da clínica. O corpo dele foi encontrado carbonizado em uma área de vegetação em Camaçari.
As investigações se intensificaram após a morte de Geovane Santana Lopes, de 31 anos, que faleceu em maio deste ano devido a queimaduras sofridas dentro da clínica em dezembro de 2022.
Depoimentos coletados durante a operação indicam que os internos eram submetidos a agressões físicas, trabalhos forçados, privação de liberdade e administração irregular de medicamentos, que eram utilizados para dopar os pacientes e diminuir sua capacidade de reação. Os relatos também mencionam um espaço conhecido como "quartinho do amor", onde os internos afirmam ter sido agredidos e colocados de cabeça para baixo.
Outra área sob investigação está localizada nos fundos da clínica, próxima a um lago, onde os internos teriam sido submetidos a sessões de tortura, incluindo supostos afogamentos. As equipes policiais realizaram buscas em áreas de mata próximas, após receberem informações de que pacientes eram forçados a cavar buracos sob a justificativa de descarte de lixo, e a finalidade desses locais ainda está sendo investigada.
Os 39 resgatados foram submetidos a exames pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), cujos laudos devem ajudar na comprovação dos crimes em investigação. Além dos homicídios, a Polícia Civil investiga denúncias de ameaça, lesão corporal, cárcere privado, maus-tratos e tortura supostamente cometidos contra os pacientes da clínica. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e verificar a possível relação da clínica com outros crimes na região.
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