A pecuária baiana alcançou um marco histórico no segundo trimestre deste ano, registrando o maior volume de abate de bovinos desde o início da série histórica. Entre abril e junho, o estado processou aproximadamente 390 mil cabeças, um incremento de 0,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete uma fase de expansão robusta, sustentada por um cenário de forte demanda internacional e uma reestruturação produtiva dentro do território estadual.
Expansão da pecuária e demanda global
Os dados, compilados no Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), evidenciam que o crescimento das exportações foi o principal catalisador do setor. No mesmo intervalo, as vendas externas de carne bovina avançaram 15,1% em volume e 17% em valor financeiro, consolidando o estado como um player relevante no fornecimento global de proteína animal.
Segundo Paulo Sérgio Menezes Luz, diretor-geral da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), a demanda de mercados consolidados, com destaque para a China, forçou os frigoríficos locais a acelerarem o ritmo de processamento. Além da procura externa, a maior disponibilidade de animais prontos para o abate e a oferta estável de grãos para nutrição animal garantiram o suporte necessário para atender a esse aumento de escala.
Interiorização e novas fronteiras produtivas
O crescimento do setor acompanha uma mudança geográfica significativa no rebanho baiano. A atividade tem passado por um processo de interiorização, migrando das áreas mais áridas do semiárido tradicional em direção a regiões com forte vocação agrícola. Esse deslocamento tem permitido uma intensificação da produção, aproveitando a integração com outras culturas.
Municípios situados no oeste baiano, como Barreiras, Santa Rita de Cássia, Formosa do Rio Preto, Cotegipe, Wanderley e Angical, tornaram-se polos fundamentais dessa expansão. Essa transição para áreas de maior potencial agrícola tem sido estratégica para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade do rebanho em um mercado cada vez mais competitivo.
Desafios de mercado e sustentabilidade
Apesar dos números positivos, o setor enfrenta obstáculos estruturais. Paulo Mustefaga, presidente executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), aponta que o mercado externo deixou de ser apenas um destino para excedentes e tornou-se um pilar estrutural. Contudo, restrições tarifárias e exigências sanitárias em mercados asiáticos e europeus continuam a limitar o potencial de expansão das exportações brasileiras.
A rentabilidade do produtor também permanece sob atenção. Humberto Miranda, presidente do Sistema Faeb/Senar, alerta que a alta na arroba não garante margens maiores se os custos de insumos e mão de obra acompanharem o movimento. Para o especialista, o futuro da pecuária depende da adoção rigorosa de tecnologias de manejo, genética avançada e, principalmente, da rastreabilidade, que se tornou uma exigência mandatória para a agregação de valor e acesso a mercados premium. Mais informações sobre o setor podem ser consultadas no portal da SEI Bahia.
Fonte: atarde.com.br
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