O barril do petróleo Brent ultrapassou a marca dos US$ 100 nesta quinta-feira, 23 de outubro, marcando a quinta sessão consecutiva de alta. O aumento ocorreu após os rebeldes houthis do Iémen reivindicarem ataques contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Por volta das 10h, no horário de Brasília, o Brent para entrega em setembro apresentava uma alta de 6,05%, sendo cotado a US$ 99,76, após ter brevemente superado os US$ 100. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, também registrou aumento, de 5,08%, alcançando US$ 91,24, o maior valor desde 11 de junho.
Os houthis, que recebem financiamento do Irã, abriram um novo front ao atacar navios que transportam petróleo saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, após anunciarem um bloqueio naval às exportações da Arábia Saudita. Um dos petroleiros atingidos pegou fogo em decorrência do ataque, conforme informações de agências de notícias sauditas. Essa ofensiva ocorre em um momento em que o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, já está sob controle iraniano. A Guarda Revolucionária do Irã declarou que o estreito está “completamente fechado” enquanto as ações americanas na região persistirem, afirmando que nenhum petroleiro poderá entrar ou sair sem coordenação com Teerã.
Analistas do mercado alertam que já se considera a possibilidade de interrupções em um segundo ponto de estrangulamento. O Goldman Sachs projetou que, se o bloqueio em Ormuz continuar até 2027, o Brent pode ultrapassar os US$ 120 no quarto trimestre e ter uma média de US$ 100 no próximo ano, com potencial de alta ainda maior caso Bab el-Mandeb e o Canal de Suez também sejam afetados. O ex-presidente Donald Trump advertiu que os Estados Unidos responsabilizarão o Irã pelos ataques dos houthis, que são vistos como “procuradores” de Teerã, e ameaçou com um “grande castigo militar” caso novos ataques sejam realizados. A escalada de tensões no Oriente Médio eleva os riscos sobre rotas estratégicas para o abastecimento mundial de energia, aumentando a possibilidade de bloqueios e retaliações militares.
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