Uma operação de grande escala da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, deflagrada nesta quarta-feira (19), desmantelou um esquema sofisticado de produção e comercialização de armas de fogo fabricadas por meio de tecnologia de impressão 3D. A ação, denominada Operação 3D, resultou na prisão de 16 pessoas e cumpriu mandados em diversas cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre, incluindo Canoas, Triunfo, Eldorado do Sul, São Leopoldo e Montenegro.
O principal alvo da investigação, apontado como o responsável técnico pela manufatura dos equipamentos, foi detido em Canoas. Segundo as autoridades, o grupo operava com uma estrutura logística organizada, dividindo tarefas entre a produção, a captação de clientes e a distribuição final do armamento, que chegava a abastecer facções criminosas rivais no estado.
Estrutura logística e fabricação de armamento
As investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) revelaram que o esquema possuía funções bem definidas. Enquanto o fabricante se dedicava à montagem das peças, articuladores atuavam na intermediação das vendas, garantindo que o material bélico circulasse entre diferentes grupos criminosos.
O delegado Alencar Carraro, diretor de investigações do Denarc, destacou a complexidade do caso. De acordo com o depoimento do principal suspeito, os projetos e instruções técnicas para a criação das armas foram obtidos diretamente na internet, embora a polícia continue apurando se houve auxílio de outros especialistas ou técnicos no processo.
Qualidade e potencial destrutivo das armas
A perícia policial identificou que os equipamentos produzidos apresentavam um nível de precisão surpreendente para itens de fabricação artesanal. Tratava-se de armamento de grosso calibre, com características técnicas que, em condições normais, seriam restritas ao uso exclusivo de forças de segurança pública.
A capacidade de produção e a eficácia das peças tornaram esses itens altamente valorizados no mercado ilícito. Segundo as autoridades, o comércio dessas armas movimentava cifras elevadas, atraindo o interesse de organizações criminosas que buscavam contornar os canais tradicionais de aquisição de armamento.
Origem da investigação e desdobramentos
O monitoramento do grupo teve início em novembro de 2025, após agentes do Denarc realizarem as primeiras apreensões de modelos fabricados via manufatura 3D, além de componentes e insumos utilizados na confecção. A operação desta quarta-feira, que envolveu 20 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, representa um golpe significativo na logística de armamento dessas facções.
A Polícia Civil segue com as diligências para identificar possíveis ramificações da rede e verificar a extensão total dos equipamentos já distribuídos. Mais informações sobre o caso podem ser acompanhadas através do portal oficial da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
Fonte: gazetabrasil.com.br
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